08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Pequenez nossa de cada dia

Vera M. B. A. Cruz - Professora
| Tempo de leitura: 1 min

Como é triste vermos a reação de alguns empresários, quase que exigindo a reabertura do comércio. Fico pensando: será que pagam algum plano de saúde para os funcionários, pagam o salário em dia, recolhem o FGTS, fornecem vale-transporte, vale-alimentaçao?

Deveriam ir a Brasília exigir do presidente medidas que ajudassem a passar por esses dias difíceis. Querem isolar os idosos, mas se alguns morrerem não farão falta... Vocês não leem nos jornais e escutam nos noticiários que hoje muitas famílias dependem da aposentadoria deles para sobreviver? Tem neto batendo ou matando avós para roubar o dinheiro e comprar drogas. Vocês que hoje tem alguma empresa ou algum negócio também tiveram ajuda dos pais ou avós. Na Europa também não se importaram com idosos, os mesmos que sobreviveram às guerras mundiais, passaram fome e necessidades e agora não podem usufruir do que ajudaram a construir.

A economia não pode parar, vocês dizem, mas eu nunca vi nenhum morto fazendo compra. Algum de vocês assistiram ao papa andando sob a chuva, bem debilitado, rezando pela humanidade? Rezou por todos, até por você que só está interessado no lucro e louva o 'deus mercado', pense nisso. Trabalhando conseguiremos recuperar nossas perdas materiais, mas nossos entes queridos, quando se vão, nunca mais abraçaremos. A morte do José Mário Pinho de Assis me causou muita tristeza, eu o conheci, foi de uma geração que começava trabalhar muito jovem, ele, o pai e outro irmão, trabalharam por muito tempo no Martins e Machado, ali onde hoje é a concessionária da Jeep na rua Araújo Leite. Não merecia jamais não ser velado, não ter o último abraço da filha. Por favor, senhores, repensem suas reivindicações!