Eu sou a mãe Terra.
Eu estava doente, pulmões, ar, veias, coração... todos prejudicados. Eu chorava calada, às vezes eu me revoltava, em minha revolta ocorriam os ciclones, tornados (até mesmo em lugares antes nunca vistos), terremotos, temporais, inundações... mas... ninguém percebia. Alguns morriam, mas não era todo mundo que corria perigo.
Deus, então, vendo meu sofrimento, me fez ficar calada perante o invisível. Alguns ainda ignoram, fazendo piadinhas, não sabem o quanto ele é cruel e sufocante.
Homens de poder estavam construindo armas e armazenando-as para uma possível guerra, e ela chegou, e eles não podem usar suas armas. Cobram seus cientistas, mas não o valorizaram de antemão.
Meus rios/veias estão doentes, estavam sendo depósito de lixos, recicláveis, pneus, sacolas e outros tipos de lixo. E governantes fazendo "ouvidos-moucos" para meus apelos. Hoje estão lavando ruas para limpar e evitar o vírus, eu estive corroída e ninguém se importou.
Sondas, satélites, naves foram lançados ao espaço, na ânsia da conquista, do desbravamento sideral, conquistar além, explorar tudo. E o berço sujo, empoeirado, atmosfera densa, envolto a duras penas!
Eu chorei! Chorei muito! Fiquei abalada.
Agora estou mais calma, devido à quietude dos homens, mas, ao mesmo tempo muito preocupada, pois não são todos ignorantes, egoístas e dissimulados. Grande parte sofre como eu, muitos são privados de águas cristalinas. Muitos sobrevivem do lixo, estão nos lixões, doendo meu âmago, a procura de lixo comerciável, e nem assim, governantes se abalam! Enquanto poucos usufruem de transatlânticos, iates, jatinhos! Meu pulmão estava sendo dilacerado e destruído, sem escrúpulos!
Minérios, madeiras, pastagens são mais importantes que biomas naturais; animais e irmãs árvores são ceifados em troca do ouro de papel! Animais perderam seu habitat e ainda são engaiolados para o lucro desenfreado. Meus mares, negros ficaram, animaizinhos foram dizimados, mas o que isso importa? Não eram os gananciosos que estavam em risco.
Agora, eu ouço o silêncio, percebo o medo dos homens. Alguns estão abrindo seus cofres para não virar o caos na economia, outros tentando colocar vidas em risco, em nome da sobrevivência econômica. Não pensam em como será pior o caos no cemitério e após ele, para os que sobreviverem.
Estou respirando agora, consigo girar sem pressão, vejo as estrelas no infinito do céu, sinto o curso de minhas águas, meu ar está menos denso, eu vivo, estou sobrevivendo... Meus amanhecer, entardecer e anoitecer são solitários, mas eu consigo senti-los. Eles sorriem para mim todos os dias. Os dias passam devagar, posso percebê-los, já não fico mais esgotada ao final das 24 horas.
Meus pássaros voam, cantam...
Será que nesse silêncio os humanos conseguem pensar, refletir?
Eu gritei e ninguém me ouviu. Chorei e ninguém me consolou.
Muitos partiram pelo desbarrancar do barro, e suas empresas continuam surdas, há outras que podem sucumbir e ceifar vidas...
Todos sentem medo do invisível, pois ele não olha classe social nem religião.
O futuro é incerto, o que é certo é que ficarão mais pobres economicamente, porém, muitos ficarão ricos de solidariedade e valores. Novos sentidos de vida serão tomados. Deus estará no centro novamente. Haverá mais pessoas nas igrejas, cultos, reuniões.
E aqueles que se foram? Como se sentiram? E os que ainda irão partir? Não sabemos. Ainda existem os insensatos. Não sentem medo?
Ainda não acabou. Há tempo de buscar o Criador, ouvir sua voz, entender seu sentido. Cuidem dos miseráveis! Tenham compaixão dos infelizes! Cuidem de mim, eu lhes peço. Preservem minha sáude. Ainda resta esperança. Agarrem-se na fraternidade. Do que adianta conquistar Marte? Inabitável ele é, e ver minha população dizimada? Meus filhos morrendo?
Por favor, se revistam do belo, do amor igualitário e fraterno, da boa conduta. Sem cobiça! Ainda viajaremos muito!
Espero ser compreendida!
Sua Mãe Terra/Planeta Azul/ Gaia.