10 de julho de 2026
Nacional

Iamarino diz que será preciso alternar períodos de abertura e quarentenas

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

O biólogo Atila Iamarino, 36 anos, era mais conhecido por atuar como o apresentador bonachão do Nerdologia, canal do YouTube. Diante da pandemia da Covid-19, ele decidiu empregar sua formação em virologia (um doutorado sobre moléculas do HIV que "picotam" proteínas, concluído em 2012 na USP) para explicar as descobertas sobre o novo coronavírus na Internet.

O biólogo foi um dos primeiros a destacar as implicações do modelo matemático sobre a propagação do novo coronavírus feito por pesquisadores do Imperial College de Londres. Extrapolando dados britânicos para o País, ele alertou que, se nada fosse feito, havia risco de que mais de 1 milhão de pessoas morressem no País por Covid-19.

Acusado de catastrofista por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, Iamarino diz que, mais do que esperar descobertas-relâmpago de vacinas e remédios, é preciso fazer o básico: testar cada vez mais pessoas para verificar a presença do vírus, obter a quantidade necessária de máscaras e equipamentos de proteção e repensar a maneira como a sociedade vai funcionar nos próximos dois anos, provavelmente alternando períodos de abertura e novas quarentenas.

Atila Iamarino afirma que mesmo que se faça muita coisa neste momento, vai-se descobrir que não existe tempo hábil para a ação humana coordenada contra a Covid-19, a não ser o isolamento social.

"É preciso ter em mente que, até a gente contar com vacina 100% segura, ou tão segura quanto possível, vai ser preciso esperar anos. É possível que a gente fique, no começo, com vacina temporária, que funciona, mas é problemática para alguns grupos. Isso já aconteceu com a poliomielite, por exemplo", diz. "Então, no mínimo por um ano, mais provavelmente por dois anos, a gente vai ter de alternar períodos de reclusão com períodos nas ruas, construindo o máximo possível de infraestrutura, criando um funil largo, que permita que a gente abra a torneira."

Iamarino destaca que "ao contrário do que parece para algumas pessoas, ninguém quer parar o mundo, mas a gente vai precisar mudar diversos comportamentos". Ele destaca como exemplo evitaro contato físico com as pessoas, evitar multidões e uso mais comum das máscaras de proteção vão continuar sendo necessárias.

Ele afirma que uma coisa que muita gente ainda não entendeu, quando compara o número total de mortos pela Covid-19 com os mortos em acidentes de trânsito, por exemplo, é que uma quantidade comparável de mortes, que ficaria "espalhada" ao longo de um ano, está se acumulando em poucas semanas ou até dias.