08 de julho de 2026
Articulistas

Gratidão

Gervasio A. Consolaro
| Tempo de leitura: 2 min

Pensando bem, quantas guerras, furacões, terremotos, fome, miséria, fartura, riquezas e uma gama de outras situações foram vividas por aqueles que vieram bem antes de nós para que pudéssemos agora estar exatamente no lugar em que estamos? Não chegaríamos aqui à toa. Mas, acima de tudo, me desperta o sentimento que deveria reger toda a humanidade, o de gratidão.

Essa emoção tem sido bastante analisada pela ciência nas últimas décadas. E os estudos só comprovam os inúmeros benefícios que ela exerce em quem pratica o dia a dia. A pesquisa que se destaca entre diversas é a realizada na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e publicada em 2016. O estudo foi feito com 43 pessoas, homens e mulheres de idades diversas, que participaram do experimento de maneira voluntária. Em comum, todos se tratavam de depressão e distúrbios relacionados à ansiedade. Desses, 22 foram submetidos por três meses a sessões semanais em que deveriam passar um tempo determinado escrevendo cartas para expressar gratidão. Eles eram incentivados a agradecer pelo dia que tiveram, por um encontro com um amigo...

Ao final, verificou-se que aqueles que fizeram essa prática ativaram uma área do cérebro responsável por tal sentimento e conseguiram tratar seus distúrbios com mais facilidade.

O psicólogo americano, também atentou por meio de pesquisas, como a gratidão reduz as emoções, tóxicas das pessoas e gera o aumento da felicidade. Segundo seus estudos, ao sermos gratos liberamos no organismo um neurotransmissor conhecido como dopamina, que gera dentro da gente uma onda interna de bem-estar e prazer.

Pessoalmente, meu sentimento de gratidão, não foi alterado, nem mesmo quando fui vítima de um sequestro e fiz duas cirurgias de vulto e risco. Tenho uma gratidão enorme pela vida, mesmo nascendo pobre morando em casa de tábua e de pau-a-pique, trabalhando de office-boy, lavador de cachorros, limpador de banheiro em restaurante etc. Não tenho queixas. Pelo contrário, tenho motivos de contentamento e satisfação, reconhecimento por tudo que recebi e por toda a alegria que a família, amigos e as pessoas me proporcionaram. A vida só tem me dado alegrias, boas recompensas e muita satisfação. As agruras também fazem parte de nossa existência, que tem seus aspectos positivos e aspectos menos positivos, mas tudo é um conjunto, e vou conservar essa gratidão comigo para sempre.

Escritor brasileiro Wallace Lima, especialista em física quântica e saúde integral, diz que segundo estudos 89% da população morre em virtude de alguma doença crônica, gerada e mantida seja por hábitos errados, emoções mal administradas, gerando hormônios do estresse, que são cortisol e adrenalina. Ao contrário, a ciência vem pesquisando que o estado de gratidão joga no organismo os neurotransmissores do bem-estar, que são a serotonina e dopamina, ansiolíticos naturais. Por fim, gratidão é amor, compaixão, tolerância, e está mais do que claro que bons atos levarão a outros bons atos. E seu exercício promove efeitos bioquímicos para todos, não só para gente mesmo.