08 de julho de 2026
Nacional

Crianças em isolamento


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É claro que estamos todos tristes, chateados, angustiados e irritados com esse isolamento imposto pelo novo coronavírus, e não é diferente com crianças e adolescentes. Os pais devem estar atentos para identificar se esse tédio está além do normal e caminha para algo patológico, como depressão, ansiedade, pânico etc.

"Deve-se observar se houve alguma mudança extrema de comportamento, se eles estão comendo pouco ou demais, dormindo excessivamente ou quase nada, se estão apáticos ou o tempo e perguntando sobre o coronavírus", orienta a psicóloga Desirée Cassado.

Ela também alerta para a possibilidade de surgirem sintomas físicos em razão da instabilidade emocional, como dor de cabeça ou problemas gastrointestinais, o que pode ser sinal de que a médio ou longo prazo virá uma depressão.

Pode-se trocar ideias com a família, amigos e com a escola, e é preciso, a depender da gravidade da situação, buscar ajuda psicológica ou médica. "Não dá para administrar sozinho um filho que esteja isolado, falando em morrer, em ir embora, se machucando, colocando em risco a própria vida ou a de outras pessoas. Ao primeiro sinal, é preciso agir."

Diretor do Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Hospital das Clínicas de São Paulo, Ênio Roberto de Andrade afirma que essa expectativa de que podemos ficar doentes se não houver higienização pode desenvolver ou agravar o TOC (transtorno obsessivo compulsivo). Um tique, algo comum na infância, pode evoluir para um TOC neste contexto.

Ele se preocupa com o prolongamento da quarentena. "Quem está com crianças e adolescentes em casa terá de se esforçar ainda mais para manter a calma." Há diversas iniciativas de atendimento psicológico online gratuito, o que pode ser uma tentativa de amenizar o problema.

Impõe-se como nunca a necessidade de prevenção. E é com os pais que tudo deve começar, como na orientação para despressurização em voos, em que o adulto deve colocar a máscara em si próprio antes de auxiliar as crianças. "A saúde mental dos pais contamina a dos filhos", diz Desirée. Para a psicóloga, o primeiro passo é "pegar leve consigo mesmo". "Não é hora de perfeccionismo, mas de flexibilidade, de buscar ser bom o suficiente."