09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Fight: empresas x Covid-19

Gabriel Malmonge Salorno
| Tempo de leitura: 2 min

Muitos estão criticando os empresários que na sexta-feira (27/03) participaram da passeata realizada e inclusive seus modelos de carros que percorreram o trajeto planejado. Nesse mérito não vou entrar porque é hipocrisia pura. Sabemos do risco que a Covid-19 pode trazer, contudo, seria necessário então expor a verdade à população. Desde que os comércios foram fechados na cidade, o ranking sempre permanece em: CASOS CONFIRMADOS - 0, justificado pela ausência do envio dos resultados do Instituto Adolfo Lutz por mais de 15 dias. Sendo assim, por que se pede o retorno? Não porque os "ricos" passarão fome ou perderão seus carros de luxo, mas sim pela manutenção da mão de obra.

Os maiores críticos das redes sociais são os mais sujeitos a perderem seus postos, os empresários natos recomeçam ou abrem outros negócios, mas a maior afetada é a população que depende desses empresários. Para explicar, faremos uma conta simples supondo que possuo um salão de beleza no Calçadão da Batista que possui 5 funcionários com salário fixo de 1.000,00 cada e um gasto total unitário somando VT, FGTS e outros de 1.490,00 e ainda as despesas a seguir: Aluguel 3.500,00; água 500,00; energia elétrica 900,00; plano de internet telefone 290,00; escritório de contabilidade 500,00; fornecedores em média 5.000,00; obrigações salariais totais 7.450,00; total de obrigações = 18.140,00 entre outros.

Caminhando um pouco mais longe, imaginemos que possua reserva de capital equivalente a R$ 38.000,00 e suponhamos que elaborando uma conta bem simples meu salão permaneça 40 dias fechado. Meu custo será de aproximadamente R$ 25.000,00, é claro sem descontar a não utilização de água e energia. Minha reserva cai para R$13.000,00. Se nessa história incluirmos mais um surto o custo já se torna prejuízo. Resumo: o corte sempre será na mão de obra, o item mais doloroso da "conta".

Como dito no início, de maneira nenhuma é errôneo tomar medidas para combater uma pandemia, contudo, Brasil não é país de primeiro mundo e possui um governo inerte e falho ao extremo. Dizer: Fique em casa!

Mas não oferecer qualquer respaldo justo é o mesmo que assinar um atestado positivo para saques, assaltos, violência e um pânico muito maior do que o já instalado. Pense nisso.