10 de julho de 2026
Internacional

Covid-19: Confúcio e experiência com epidemias ajudam Ásia no controle

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Seul - Enquanto o Ocidente se desespera para lidar com a Covid-19 - Espanha, Itália, França e EUA registram centenas de mortos diariamente pela doença causada pelo novo coronavírus -, a Ásia exibe números de fazer inveja. A Coreia do Sul, que chegou a ser o segundo maior foco da doença depois da China, tem uma das menores taxas de óbitos (1,69%), junto com Singapura (0,07%).

Pela proximidade com a China - onde o surto começou - e pelo número de voos que conectam os dois países, Taiwan poderia ter sido devastado pela doença, mas valeu-se da experiência adquirida durante a epidemia de Sars e registrou até agora apenas cinco mortos por Covid-19 em 24 milhões de habitantes.

Esse sucesso em enfrentar o primeiro momento da pandemia, porém, agora se equilibra em corda bamba e vários países da região tem tomado medidas para conter uma segunda onda de contaminação. O êxito inicial da Ásia em lidar com a pandemia parece se dar não só porque a região foi a primeira a ser atingida, mas por um tripé formado pela cultura de valorização do coletivo sobre o indivíduo, estruturas avançadas de monitoramento de doentes e uso de inteligência artificial para detectar casos suspeitos.

O sudeste e o leste da Ásia estão de fato se dando melhor no controle da Covid-19 do que países ocidentais, na opinião do diplomata Fausto Godoy, que serviu o Itamaraty em 11 países do continente e hoje coordena o Núcleo de Estudos Asiáticos da ESPM. Isso se deve, diz, ao confucionismo adotado por China, Japão, Coreia do Sul e Singapura.

Nascido no norte da China em 479 a.C., o filósofo Chiu Kung - cujo nome foi europeizado para Confúcio - legou ao Oriente o pensamento de que os governantes devem ser exemplares e de que o Estado existe para beneficiar a população.

Seus aforismos, como "não faça aos outros o que você não quer que seja feito a você", pregam a harmonia da vida em sociedade. "Você, eu, todos nós só passamos a ter importância quando agregamos algo à sociedade. É assim que se constrói um hospital em dez dias [erguido na China] e assim que a gente consegue fechar uma cidade como Wuhan [onde o surto começou], com 11 milhões de habitantes", diz Godoy.

Itália e Estados Unidos, lembra Godoy, estavam desatentos aos perigos do vírus e, quando se deram conta, muitas pessoas já haviam sido contaminadas."Nosso individualismo é um grande obstáculo. O coletivismo asiático é uma grande diferença", finaliza Godoy.