A vida de atleta das modalidades olímpicas no Brasil não é das mais fáceis. Um dos principais problemas que encontram é a falta de recursos financeiros para bancar viagens de competição em cidades do Brasil ou Exterior, já que muitos contam apenas com alguma ajuda de custo ou precisam dividir a vida competitiva com outra profissão. Além disso, convivem com falta patrocínio para auxiliar com custos.
Uma das saídas que esses atletas usam para amenizar as dificuldades financeiras e conseguir arrecadar dinheiro para competir é por meio de rifas, vendas de alimentos, bingos ou outras premiações do tipo. Em Bauru, alguns praticantes de artes marciais, que têm grandes resultados e são de equipes que representam a cidade, enfrentam a luta por dinheiro paralela aos treinos de suas modalidades, e também já recorreram a esse expediente.
Evellyn Silva é atleta de kung fu e compete pela Garra de Tigre. Para arrecadar dinheiro e poder participar das várias competições da modalidade que ocorreriam ao longo do primeiro semestre, ela e seu parceiro de treino, Robson Vinícius, fizeram quatro rifas. Entretanto, as competições foram canceladas devido ao coronavírus.
"A gente fez duas rifas de café da manhã. Três rifas no valor de 10 reais. Ficou cada um com uma parte do dinheiro para rifar. Então, cada um tinha um bom valor. E mais uma com 120 reais e mais uma cesta de chocolate", revela. Para competir, Silva conta com o auxílio do nutricionista Pedro Dumas, do fisioterapeuta Rafael Velozo e da Academia Get Run, onde mantém a forma física.
BINGO
Já Marcela Polastri, também praticante de kung fu em Bauru, pela Associação Yamada, recorreu ao bingo para angariar recursos financeiros. Em 2012, ela contou com a ajuda do pai para juntar algumas prendas e foram vendidas as cartelas. No dia do bingo, ainda houve comercialização de pastel e refrigerante. O dinheiro arrecadado foi utilizado para participação da atleta no Campeonato Pan-Americano do México. Além disso, ela já realizou vaquinhas online e rifas em outras oportunidades.
Com o tempo, Polastri passou a conseguiu se programar para as viagens com antecedência. "Guardava dinheiro para viajar sem ter problema financeiro", ressalta.
VENDA DE ALIMENTOS
Outra forma de conseguir arrecadar dinheiro para participar de competições é através da comercilização de alimentos. É isso que fez o atleta do taekwondo bauruense Macauly Naka, da Academia Saúde & Cia, em 2019. Para competir pela primeira vez fora do Brasil, no Chile Open, ele ajudou na venda de rondellis para proporcionar a viagem dos colegas, do treinador e sua. Anteriormente, já havia feito venda de yakisoba. Segundo ele, não foi fácil arrecadar o dinheiro.
"Eu tive que ralar muito. Era muito difícil tentar vender. No rondelli, às vezes, a gente ia na mesma pessoa oferecer e dava para perceber que ficava cansativo. A pessoa ajudava não porque queria comprar o rondelli, mas para auxiliar a gente a competir", explica.
Naka contou com apoio da AMS Fomento Mercantil e da Academia Saúde & Cia nas despesas da viagem ao Chile. Entretanto, mesmo assim ele precisou recorrer à venda de alimentos para arrecadar mais dinheiro.