10 de julho de 2026
Nacional

Isolamento não é adotado por 28% dos brasileiros

FolhaPress
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Perto de completar um mês, o isolamento social estabelecido como principal estratégia para o combate ao novo coronavírus em diversos estados não faz parte da rotina de uma parcela expressiva da população brasileira. Não seguem total ou parcialmente a orientação de ficar em casa 28% das pessoas entrevistadas pelo Datafolha, em pesquisa realizada entre os dias 1 e 3 de abril. Foram consultados 1.511 brasileiros adultos em todas as regiões do país.

O resultado mostra que 24% dos entrevistados dizem que estão tomando cuidado em razão da pandemia, mas seguem saindo de casa para trabalhar ou realizar outras atividades. Outros 4% afirmam que não houve nenhuma mudança na rotina, e que seguem vivendo como antes da crise. Não é possível saber quantos desses trabalhadores desempenham atividades essenciais, em setores como alimentação, saúde e segurança, por exemplo, que precisam sair para trabalhar.

Ignorar o isolamento sem necessidade contraria a orientação da maioria dos especialistas e as diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas é compatível com o que vem defendendo o presidente Jair Bolsonaro, para quem a quarentena deveria ficar restrita a idosos e demais grupos vulneráveis. Infectologistas dizem que o isolamento total é fundamental para não trazer o vírus para dentro de casa, por exemplo, onde poderia infectar os mais suscetíveis a terem complicações.

Os demais 72% dos entrevistados afirmaram estar seguindo as orientações de ficar em casa, sendo que 54% disseram sair apenas quando é inevitável, para comprar comida, por exemplo. Outros 18% declararam estar totalmente isolados, sem sair de casa em nenhuma hipótese.

Apenas 23% disseram não ter medo nenhum de contrair a doença. Em sua maioria, contudo, as pessoas ouvidas avaliam que é grande a chance de contrair e transmitir o vírus. São 81% os que dizem acreditar que podem ser infectados, mas a maior parcela (35%) diz que a chance de isso acontecer é pequena. Apenas 17% creem que a possibilidade é grande.

Segundo o Datafolha, 72% dos entrevistados afirmam acreditar que têm chance de contaminar outra pessoa, mesmo índice dos que creem que uma pessoa que more em sua residência pode contrair a doença.