Brasília - O presidente Jair Bolsonaro aproveitou a Sexta-Feira da Paixão para fazer um novo tour por Brasília, contrariando novamente as recomendações sanitárias de isolamento social para evitar a propagação do novo coronavírus. Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, pouco depois das 9h. Na saída, a comitiva do presidente evitou passar pela portaria principal, onde tradicionalmente os jornalistas e apoiadores permanecem à espera do presidente.
Ele primeiro foi ao Hospital das Forças Armadas (HFA), depois a uma farmácia no setor sudoeste e, por fim, a um prédio residencial, na mesma região, onde mora o filho do presidente, Jair Renan. Na farmácia e no prédio, apoiadores se juntaram para ver o presidente, também contrariando a orientação de evitar aglomerações. Bolsonaro pegou na mão de alguns apoiadores.
Ele chegou a limpar o nariz e, com o mesmo braço, cumprimentou uma idosa. Na rua, houve manifestações de apoio ao presidente, mas também houve pessoas que bateram panelas em suas janelas e gritaram palavras de ordem contra Bolsonaro. "Eu tenho o direito constitucional de ir e vir. Ninguém vai tolher minha liberdade de ir e vir. Ninguém", afirmou o presidente na saída da farmácia.
Questionado pelos jornalistas o que havia ido fazer no HFA, respondeu ironicamente. Primeiro, disse que havia ido "tomar um sorvete". Depois, afirmou que foi ao hospital "fazer um teste de gravidez". Os repórteres também perguntaram se ainda iria a outro lugar. "Eu tenho direito constitucional de ir e vir. Ninguém vai tolher minha liberdade de ir e vir", retrucou.
Antes de retornar ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro passou por uma quadra residencial, também no Sudoeste. De acordo com vizinhos, no prédio visitado mora o estudante de direito Jair Renan, filho do presidente. Neste sábado, o rapaz completa 22 anos.
O Ministério da Saúde, seguindo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ressalta diariamente a necessidade de as pessoas ficarem em casa e não saírem a não ser para alguma atividade essencial. Jornalistas que acompanharam a saída do presidente pela cidade questionaram Bolsonaro sobre o que ele foi fazer no hospital, mas ele não respondeu.