09 de julho de 2026
Nacional

Católicos têm Semana Santa de 'vazio'

FolhaPress
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Transmitida ao mundo, a imagem inédita do papa Francisco rezando sozinho na praça São Pedro, no Vaticano, no último dia 27, sintetiza o que os padres brasileiros passaram a experimentar nos últimos dias, durante a Semana Santa. Seguindo a orientação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o período de celebrações especiais, como as missas de Domingo de Ramos, no dia 5, as encenações da Sexta-Feira Santa e a missa de Páscoa, agora é "sem povo".

Sem contato com fiéis, padres relatam vazio existencial e a oportunidade de retomar a caridade na quarentena, que coincidiu com a quaresma. Para fiéis, o momento de isolamento devido à pandemia do novo coronavírus é de tristeza, mas com fé. E com transmissões online. "A Páscoa é o centro do calendário litúrgico, é o que dá sentido ao cristianismo. A culminância está na Páscoa, que é morte e ressurreição de Jesus. É mais do que o Natal, seu nascimento", diz frei Luiz Carlos Susin, teólogo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

O termo quaresma, assim como a palavra quarentena, deriva do número 40, que são os dias de preparação para a Páscoa. O período chegou a ser maior, de 70 dias na Idade Média, conta Susin. Hábitos como a abstinência da carne, por exemplo, acabaram sendo adotados pela maioria dos católicos apenas na Sexta-Feira Santa, quando se relembra a crucificação de Jesus, que foi condenado à morte.

Importantes na quaresma, a esmola, o jejum e a oração ganham novos sentidos nos dias de hoje, disse o teólogo. "A esmola não é apenas doar algo para o pobre, mas doar algo que me é necessário. O jejum é sentir falta de algo. É a falta que mostra a dor, que faz ser mais solidário e sensível à dor do outro."

O medo e a angústia que Jesus sentiu desde que foi condenado à morte têm consolado o padre Ricardo Fontana, da paróquia Santo Antônio, em Bento Gonçalves, na serra gaúcha. "O sentimento é de um vazio existencial profundo. A gente olha para o que Jesus passou e tem essa sensação de estarmos recolhidos no Monte das Oliveiras. Não é só a falta do público, é algo existencial", diz Fontana.