Ives Gandra Martins, jurista
No dia 27 de fevereiro, o jurista Ives Gandra Martins foi submetido a uma cirurgia simples de esôfago. Na recuperação teve uma isquemia, depois uma septicemia. Ficou quatro dias em coma na UTI e, quando estava se recuperando pegou o novo coronavírus. "A minha guerra não começou com o coronavírus", disse o jurista, que está em casa, mas em recuperação. "Sinto fraqueza e falta de apetite. Mas, fora isso, estou bem." Após 38 dias de hospital, ele mantém o raciocínio perspicaz. Aos 85 anos e, portanto, pertencendo ao grupo de risco, Gandra relatou que nunca tinha vivido um drama pessoal tão grande. Apesar da fase difícil, ele se considera otimista. Acredita que, do ponto de vista coletivo, a pandemia do novo coronavírus vai ser um momento de reflexão da humanidade. "Será uma grande oportunidade para mudarmos a face da terra."
Orlando Morando,
prefeito de São Bernardo
Depois de uma semana na UTI, Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo (PSDB), disse que achou que morreria por causa da Covid-19. O pior momento foi na semana passada. "Senti uma falta de ar asfixiante, foi a pior sensação que tive na vida." A situação só começou a reverter quando os médicos começaram a dar cloroquina. "O oxigênio não surtia efeito", lembra o político de 45 anos, que tem boa saúde e não faz parte de grupo de risco. A lição que fica, segundo ele, é que é preciso valorizar a vida. "Esse é o maior bem que a gente tem. Quando se está à beira do precipício não adianta mais." Outra lição tirada dessa experiência é a necessidade de as pessoas serem mais humanas. "O que adianta discutir a economia para quem não tem mais saúde?".
Monique Arruda,
jornalista
Há 17 dias trancada em casa, Monique Arruda, de 34 anos, jornalista, não precisou ir para o hospital para se curar da Covid-19. No primeiro dia, ela contou que teve muita dor de cabeça, cansaço e febre alta. "Fiquei sem olfato durante 12 dias, era como se não tivesse nariz." Ela recebeu orientação do médico via aplicativos, o laboratório fez o teste em casa e o resultado foi positivo. Já o seu filho de 3 anos teve muita falta de ar, mas o teste deu negativo. Até mesmo no período de isolamento, o médico a autorizou a amamentar para atenuar os sintomas da criança. Ela usou máscara e tomou cuidado com a higienização das mãos. "Apesar de os meus sintomas terem sido leves, foi um pesadelo."