08 de julho de 2026
Esportes

Grito de saudade

Estadão Conteúdo - Site
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A Copa do Mundo de 2002, cuja final entre Brasil e Alemanha será retransmitida pela Globo neste domingo de Páscoa, às 16 horas, com narração original, resgatou a confiança e a carreira de um dos melhores jogadores do planeta, o atacante Ronaldo. Ainda na Inter de Milão, seu joelho direito estava em frangalhos quando se apresentou. Héctor Cúper, técnico do time italiano à época, concordou em liberá-lo mais cedo para a seleção a fim de ele cumprir o plano de voo para sua recuperação.

"Ronaldo acreditou na gente, fez tudo o que se pediu a ele e foi um dos melhores da Copa", diz o técnico Luiz Felipe Scolari, que comandou o time no Mundial da Ásia, disputado na Coreia e Japão. "O Ronaldo também sabia que aquela era sua chance de se recuperar fisicamente, de o mundo voltar a acreditar no seu talento com a camisa 9", disse. E assim foi.

Ronaldo marcou os dois gols da decisão do Mundial diante da Alemanha, no Japão, foi eleito naquele mesmo ano, pela terceira vez, o melhor jogador do mundo e se transferiu para o Real Madrid, onde permaneceu até 2007, após 177 jogos, com 104 gols. 

Felipão contou que teve de tomar medidas importantes na formação do grupo. Uma delas foi não levar Romário, aclamado por boa parte dos brasileiros.

Ele chegou a essa conclusão após a derrota do Brasil por 1 a 0 para o Uruguai, em Montevidéu, em sua estreia ainda nas Eliminatórias.

"Romário não foi bem em campo e ainda tivemos problemas de relacionamento com atletas." Apesar do grande pedido popular, o Baixinho não foi convocado.

'CARINHO'

O treinador relatou que sua maior preocupação era "fazer a seleção brasileira jogar bem, reconquistar o carinho da torcida e fazê-la acreditar de novo no time e ainda recuperar o respeito dos rivais".

Parece inevitável a comparação com o cenário do Brasil em 2002 com o que se vê 18 anos depois com o técnico Tite, agora comandante da seleção.

Há uma geração de brasileiros que não viu aquele time jogar. "Rivaldo era um dos nossos craques. Ele jogou demais. Fez coisas que não faria em situação normal. Contra a Inglaterra, quando Ronaldinho Gaúcho foi expulso, Rivaldo recuou para o meio e fez duas ou três funções", ressaltou Felipão. "E olha que o Barcelona queria operar o joelho dele antes da Copa. Foi o Runco (José Luiz, médico do Brasil) que não deixou."

Contra os ingleses, o mesmo Ronaldinho, hoje em prisão domiciliar no Paraguai por uso de passaporte falso, fez um gol sem querer que ele sempre defendeu ter sido proposital. Ele cobrou falta e a bola morreu nas costas do goleiro Seaman. "Ele conta que foi por querer, mas a mim ele não engana", brincou Felipão que garante ainda ter contato com todos os jogadores e lamentou a fase do amigo.

'INCOMUM'

Naquela Copa, a seleção jogou com três zagueiros, incomum ao futebol brasileiro.

"O Geninho, técnico do Atlhetico-PR na ocasião, me convenceu de que era seguro e melhor. Então, tínhamos o Roque Júnior, que fazia cobertura como poucos. O Edmilson, que atuou de volante no São Paulo, e o Lúcio, que ia bem quando conseguia dominar a bola", disse Felipão.