11 de julho de 2026
Geral

Isolamento social faz 'explodir' a demanda por motoboys em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

De oito para 22 veículos. A frota de uma empresa especializada em entregas via motocicletas, em Bauru, quase triplicou desde o início do isolamento social, instituído para conter o avanço da Covid-19. O caso ilustra o "boom" da demanda pelo serviço em toda a cidade. O crescimento se dá porque os estabelecimentos considerados não essenciais estão proibidos de atender ao público e, para não fechar as portas, boa parte aposta no delivery.

Sócio-proprietário da empresa citada, Willian de Freitas Rosa já calcula um aumento de mais de 50% da procura por parte dos clientes. "Comecei a ampliar o quadro de funcionários a partir do dia 20 de março, quando o município publicou o decreto de emergência", revela.

De acordo com o empresário, os motoboys são divididos em dois turnos: das 8h às 18h e das 18h às 23h. Porém, quando a situação aperta, ele e o filho, Willian Wallace de Freitas Rosa, também desempenham tal função.

O pai sempre trabalhou das 7h à meia-noite, mais voltado ao setor administrativo do local. "Atualmente, as nossas saídas estão cada vez mais frequentes", observa.

Willian e o filho atendem empresas de diversos ramos: farmácias, restaurantes, lanchonetes, pet shops, agropecuárias e até lojas de calçados. "Embora o valor cobrado pelos aplicativos seja menor, nós conseguimos competir por conta da qualidade do atendimento", exalta.

O empresário constata que, antes, fazia 200 entregas por dia. Agora, o número saltou para 500.

MIGRAÇÃO

Em vista do cenário emergente deste segmento, Rafael Teixeira Cândido, de 22 anos, decidiu migrar da Uber, com a qual transportava passageiros via carro, para a Uber Eats. Desde então, o jovem utiliza uma motocicleta para entregar alimentos, principalmente, produzidos por fast foods.

O rapaz alega que também tomou a decisão de mudar por questões de segurança. "A maioria das pessoas que eu levava ia para algum hospital. Agora, geralmente, frequento apenas ambientes abertos e tenho pouco contato com os fregueses", acrescenta.

Além disso, a renda mensal do trabalhador não sofreu tanto. "Hoje, eu tiro R$ 2 mil por mês, R$ 500,00 a menos do que na época em que atuava como motorista. Porém, eu compenso fazendo 'bicos' para os restaurantes que não têm cadastro junto à Uber Eats", frisa.

Entretanto, a rotina ficou mais corrida, afinal, Rafael não trabalha menos do que oito horas diárias. "Já cheguei a dez horas, mas não acho cansativo, porque fico um tempo parado esperando me chamarem", justifica.

O esforço do rapaz e de toda a categoria, inclusive, foi reconhecido pelo personagem Jackson Faive, interpretado pelo humorista Marco Luque. No último dia 3, o artista publicou um vídeo em seu canal, no YouTube, exaltando os motoboys.