10 de julho de 2026
Política

Mantetta admite 'descompasso' e repete que só tem caminho da ciência

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta quarta (15) que, quando deixar a pasta, sairá junto com o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira, e com o secretário-executivo, João Gabbardo. Ele admitiu que há um "descompasso" com o Palácio do Planalto e repetiu que só tem o caminho da ciência a oferecer.

"Estamos aqui eu, Wanderson e Gabbardo. Entramos juntos, estamos juntos e sairemos do ministério juntos", disse Mandetta em entrevista coletiva no Planalto. "Vamos trabalhar juntos até o momento de sairmos juntos do Ministério da Saúde."

O ministro reforçou que não cogita neste momento pedir demissão de seu cargo. De acordo com Mandetta, existem apenas três hipóteses que podem afastá-lo do ministério. "Uma quando o presidente não quiser mais o meu trabalho. O segundo é, imagine, que eu pegue uma gripe dessa e tenha que ser afastado. E a terceira quando eu sentir que o trabalho feito já não é mais necessário porque de alguma maneira passamos por esse estresse."

O ministro passa por um processo de fritura pelo presidente Jair Bolsonaro e avisou aliados que deve ser demitido no posto. Ele não disse na coletiva, no entanto, quando seu desligamento ocorrerá. Wanderson chegou a pedir demissão nesta quarta, mas Mandetta não aceitou o pedido.

Bolsonaro tem ignorado orientações sanitárias, sem demonstrar preocupação com a crise do coronavírus, e ao mesmo tempo pressiona governadores e prefeitos a abrandar a política de isolamento social.

Já Mandetta é crítico da aglomeração de pessoas e defensor do isolamento horizontal, em linha com a OMS (Organização Mundial da Saúde) para evitar o contágio do novo coronavírus. Também na tarde desta quarta-feira Bolsonaro voltou a minimizar a gravidade da Covid-19, ao compartilhar em suas redes sociais uma tabela que mostra o Brasil com 7 mortes a cada 1 milhão de habitantes, atrás de países como Espanha, Itália e França.

Mandetta avisou sua equipe na noite de terça-feira (14) que Bolsonaro já procura um nome para o seu lugar. O ministro conversou com integrantes da pasta em clima de despedida e avisou que combinou de esperar a escolha do substituto.

Mandetta afirmou a interlocutores que cometeu um erro ao dar a entrevista ao Fantástico no último domingo (12), com uma série de críticas indiretas a Bolsonaro, e reconheceu que, diante disso, seu cargo está novamente ameaçado.

Depois de escapar na semana passada de uma demissão que muitos consideravam certa, o ministro foi avisado que sua saída do governo federal voltou a ser uma possibilidade nos próximos dias.