São Paulo - A cotação comercial do dólar teve a terceira alta seguida nesta quarta-feira (15), com valorização de 1%, a R$ 5,2430, maior valor desde 6 de abril. Já o Ibovespa teve queda de 1,36%, a 78.831 pontos. Assim como as principais Bolsas globais, a queda refletiu a aceleração no número de mortes pela Covid-19 na França e Inglaterra e primeiros registros do impacto da quarentena na economia americana.
Nesta semana, os resultados trimestrais de grandes bancos americanos vieram abaixo do esperado, com queda no retorno dos investimentos e aumento das provisões contra calotes devido à crise do coronavírus.
Nesta quarta, o Fed, banco central americano, divulgou que a produção industrial americana despencou 6,3% em março, a maior queda desde fevereiro de 1946. Economistas consultados pela Reuters projetavam que a produção manufatureira recuaria 3,2%.
A produção nas fábricas caiu a uma taxa anualizada de 7,1% no primeiro trimestre, a mais acentuada desde o primeiro trimestre de 2009. A indústria manufatureira, responsável por 11% da economia dos EUA, já estava lutando contra as consequências da guerra comercial do governo de Donald Trump com a China muito antes da ameaça do coronavírus.
Já as vendas no varejo sofreram queda recorde em março, segundo o Departamento do Comércio dos EUA, com recuo de 8,7% em março, maior queda desde o início da série do governo em 1992, depois de caírem 0,4% em fevereiro.
A expectativa em pesquisa da Reuters junto a economistas era de que as vendas no varejo caíssem 8,0% no mês passado. Agora, estimam queda de até 41% no segundo trimestre.
Os gastos do consumidor representam mais de dois terços da atividade econômica dos EUA.
"A economia está quase em queda livre. Veremos o fundo quando as taxas de infecção por coronavírus se estabilizarem. Será um fundo bem profundo para se recuperar", diz Sung Won Sohn, professor de economia empresarial da Universidade Loyola Marymount, em Los Angeles.
Também pesou a segunda sessão seguida de forte queda nos preços do petróleo. O contrato futuro do barril de Brent cai 6%, a US$ 27,82, depois que a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) divulgou relatório que prevê queda recorde da demanda pela matéria-prima em 2020