08 de julho de 2026
Nacional

Isolamento: Teich pode rever orientação

Estadão Conteúdo
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Sem dizer qual estratégia pretende adotar contra a Covid-19, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, tomou posse ontem com o discurso de que a falta de informações sobre a doença provoca um nível "enorme" de ansiedade e medo na população. Ainda que prometa não adotar mudanças bruscas, como reabrir todo o comércio, uma bandeira do presidente Jair Bolsonaro, Teich deu sinais de que pretende rever orientações sobre isolamento social.

Em conversas com colegas de entidades médicas e com Bolsonaro, ainda durante negociações para chegar ao cargo, Teich já havia argumentado ter visto "exageros" em medidas restritivas, como decretação de quarentena em cidades do interior e sem casos da doença, que teriam sido tomadas com base em projeções pouco palpáveis.

Um ponto tratado no discurso e em reuniões reservadas com o presidente é que, em alguns locais, pacientes com outras doenças deixaram de buscar atendimento médico por medo de se contaminar, o que esvaziou serviços de saúde. "Se você tem menos acesso, menos disponibilidade de serviço de diagnóstico, será que não vai dificultar diagnóstico de pessoas com câncer? O que vai acontecer quando uma pessoa fica em casa, com medo de ir ao pronto-socorro e enfarta?", afirmou. O discurso foi interpretado como uma adaptação à narrativa de Bolsonaro.

Técnicos do Ministério da Saúde argumentam que jamais defenderam um "lockdown" - o fechamento completo - em todo o País, e que não foram consultados por prefeitos e governadores que podem ter tomado medidas precipitadas.

EQUIPE

Teich ainda não anunciou nomes para a sua equipe. Alguns secretários nomeados por Mandetta estiveram na posse do novo ministro. A ideia dos atuais integrantes da pasta é ficar à disposição até o começo de maio. O atual secretário nacional de Vigilância Sanitária, Wanderson de Oliveira, disse que participará da transição até 4 de maio e, depois, se afastará.

Enquanto isso, Bolsonaro escalou o almirante Flávio Rocha, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, para auxiliar na transição. Rocha não terá cargo específico no ministério. Bolsonaro já disse que indicará nomes para a nova equipe da Saúde.