08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Em defesa do SUS

José Eduardo Amantini - jornalista e usuário do SUS
| Tempo de leitura: 2 min

Em tempos de graves crises como a que estamos enfrentando no País com a pandemia do novo coronavírus, as autoridades e a sociedade têm dado mais atenção às reais necessidades do nosso Sistema Único de Saúde (SUS) - um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo - ser forte para suportar e garantir seus três princípios legais de acesso integral, universal e gratuito para toda a população brasileira. Foi a Constituição Federal de 1988 que garantiu que "a Saúde é direito de todos e dever do Estado".

Antes desta época, o sistema público de saúde prestava assistência apenas aos trabalhadores vinculados à Previdência Social, aproximadamente 30 milhões de pessoas com acesso aos serviços hospitalares, cabendo o atendimento aos demais cidadãos às Santas Casas e instituições filantrópicas.

Hoje, cerca de 120 milhões de pacientes dependem exclusivamente do atendimento médico-hospitalar do SUS, quatro vezes mais o número que utilizava o sistema de saúde público havia três décadas. Mas, na verdade, sabemos que este número é muito maior no cotidiano desde a crise econômica de 2014, que obrigaram milhares de pessoas que tinham planos de saúde privados migrarem de volta ao SUS, sem nenhuma discriminação e com total amparo legal.

Mesmo enfrentando problemas estruturais ao longo dos anos, como a falta de recursos para ampliar o número de leitos e para aquisição de novos equipamentos, o SUS ainda é um sistema de saúde pública digno de elogios e não está na UTI. Mas é preciso modernizá-lo e atualizá-lo de acordo com a nossa realidade socioeconômica de hoje. Afinal, tudo muda e avança na vida e o SUS não pode continuar sobrevivendo apenas conforme a constituição de 1988. É óbvio que o Governo Federal precisa investir mais recursos financeiros no SUS, até porque, desde a década passada, a União destina cada vez menos verbas para a saúde pública, transferindo essa responsabilidade aos Estados e municípios. Mas também é preciso evitar desperdícios e melhorar a eficiência das gestões de todos os entes federados.

É importante lembrar que as filas por faltas de vagas e leitos hospitalares não começaram agora com a pandemia do coronavírus no país. Milhares de pessoas já morreram por este problema crônico, assim como outras milhares foram salvas diariamente por este exército de profissionais dedicados e comprometidos que trabalham no sistema público de saúde de todo o Brasil. A eles, os nossos mais sinceros parabéns, não apenas pela responsabilidade social que demostram agora, durante a pandemia da Covid-19, mas, principalmente, pelo árduo sacerdócio com que executam ao longo dos anos para salvar vidas humanas.

Aliás, nos últimos dias, muito tem se propagado sobre as ações solidárias realizadas por governos, instituições públicas e privadas e até pela sociedade. E isso é fato. Mas espero que toda essa solidariedade do momento seja transformada em uma prática comum pela sociedade brasileira. Afinal, a pandemia do coronavírus passará em breve, mas o SUS continuará sendo a mesma instituição de portas abertas a todos os brasileiros, sem qualquer tipo de discriminação.