Bruxelas - O governo alemão estima que até 100 milhões de euros (cerca de R$ 575 milhões) em programas para reduzir danos econômicos causados pela pandemia de coronavírus foram desviados por criminosos digitais. Maior economia da Europa, com PIB de quase quatro trilhões de euros (cerca de R$ 24 trilhões) em 2018, a Alemanha lançou vários programas de auxílio a negócios atingidos pela pandemia.
Pequenas e médias empresas têm acesso a crédito facilitado de até 500 mil euros (cerca de R$ 3 milhões), e um fundo de 50 bilhões de euros ( R$ 288 bilhões) socorre autônomos e pequenas empresas. Para evitar que companhias demitam seus funcionários em momentos de redução drástica de recursos, o Estado alemão paga uma parcela do salário de empregados que tenham seu trabalho suspenso - medida introduzida logo após a crise global de 2018.
Como o objetivo era garantir socorro rápido para minimizar o efeito da crise, o governo simplificou e ampliou o acesso aos recursos. Em alguns casos, era preciso informar apenas o nome da empresa e a identificação fiscal (como o CNPJ), o que facilitou a vida dos criminosos.
A partir de servidores em outros países, eles criaram sites falsos para capturar dados de empresas que usavam os fundos do governo, por meio de phishing (técnica de se passar por instituições conhecidas para roubar dados de usuários). As informações foram usadas depois para desviar o dinheiro.
Na Renânia do Norte-Vestfália, Estado de maior população na Alemanha, foi preciso suspender o programa por uma semana, depois que mais de 100 sites falsos foram descobertos.
A Renânia pagava nove mil euros para autônomos (cerca de R$ 52 mil) e 25 mil (R$ 144 mil) para empresas com mais de 50 funcionários atingidas pela pandemia. Quando a fraude foi confirmada, em meados de abril, haviam sido recebidos 380 mil pedidos de ajuda, dos quais 360 mil foram concedidos. Entre 3.500 e 4.500 eram fraudulentos, e a estimativa é que o desvio tenha ficado entre 31 e 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 179 e R$ 576 milhões).