Áreas isoladas, eventos cancelados, escolas fechadas, trabalhadores em home office. A pandemia de coronavírus deixa dúvidas e a quarentena afeta o dia a dia também dos pets. Se a recomendação é não sair de casa e o isolamento social é regra para conter o vírus entre os humanos, como ficam as brincadeiras com os bichos, os "lambeijos" e as voltinhas?
Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), passeios bem curtos podem ser realizados, desde que sejam rápidos, longe de aglomerações em parques ou praças e que estejam asseguradas as medidas de higiene. No entanto, algumas cidades não orientam, como é o caso de Bauru. Portanto, vale a pena checar o que consta no decreto de cada município sobre a pandemia, antes de sair com eles pelas ruas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que ainda não há evidências de que cães, gatos ou outros animais de estimação possam transmitir a Covid-19 e que continua monitorando pesquisas. Ainda assim, a orientação é para que pessoas que contraíram a doença evitem contato direto com seus pets e façam quarentena de convivência com eles.
Isso porque o tutor ou outro infectado, ao espirrar ou tossir, pode espalhar partículas com vírus sobre os pelos. Se alguém brincar com o animal e levar as mãos ao rosto em seguida fica exposto ao Sars-Cov-2. Assim, de acordo com o CFMV, não há garantia de que não haverá transmissão se alguém tocar na pelagem contaminada.
Tyson e Ronda, ambos da raça buldogue francês, já perceberam que algo está mudando no dia a dia. A tutora, Walena Guergik, afirma que mantém os passeios diários, mas reduzidos, e incorporou o álcool em gel às saídas, para sua proteção. "O tempo [do passeio] diminuiu bastante. E, chegando em casa, a limpeza das patas é imediata", afirma a moradora da Capital paulista.
A veterinária Adriana Souza dos Santos, clínica geral da AmahVet, em São Paulo, recomenda, porém, que as pessoas sigam as orientações das autoridades e evitem sair de casa neste período em que os números de casos de coronavírus estão ascendentes no País.
Resultado do isolamento provocado pela Covid-19, cães e gatos ganharam a família por mais tempo dentro de casa. Se é impossível ficar sem dar e receber carinho dos pets, melhor aumentar o rigor na higiene.
"O que temos nos regrado é fazer higiene das mãos com muito mais frequência. É importante manter uma rotina saudável também para os animais que estão com a rotina alterada na quarentena e oferecer enriquecimento ambiental com chifres, cascos e recheáveis. É hora de estreitar laços e aproveitar pra ensinar novos truques ao seu melhor amigo", diz a tutora, que tem em casa também o gatinho Zen.
|
Outras dúvidas? Confira as recomendações: NECESSIDADES NA RUA No caso de animais que só fazem xixi e cocô na rua, a orientação é manter a saída rápida de casa, apenas para que eles realizem as necessidades fisiológicas. Evitar contato social é fundamental ABRAÇO E ‘LAMBEIJO’ A recomendação é evitar proximidade com o bicho porque o contato de uma pessoa infectada pode deixar o vírus em sua pelagem. Contra uma possível transmissão, lave bem as mãos antes e depois de interagir com o animal MÁSCARA Não há necessidade de máscaras para cães e gatos, já que o vírus associado à Covid-19 é diferente daquele já conhecido no meio veterinário e que provoca vômitos e diarreias nos pets - e não é transmitido aos humanos BANHO E TOSA Para o CFMV, tutores devem reduzir a frequência de banhos e tosas de seus pets para diminuir, assim, a circulação das pessoas. A higiene deve ser feita, preferencialmente, em casa LIMPEZA A pessoa infectada não deve ter acesso aos brinquedos dos animais já que, na maioria das vezes, é preciso pegar o objeto com as mãos para divertir o pet. Segundo Adriana, a lavagem dos brinquedos que tenham contato direto com a boca do animal deve ser feita antes e após a brincadeira. Evitar que o animal chegue do passeio e vá direto para a caminha, pois também pode trazer em seus pelos o vírus e dispersar posteriormente pela casa, acometendo os moradores QUARENTENA E ESTRESSE Se o animal tem uma rotina de passeios e interação com o tutor, uma mudança abrupta na rotina pode provocar estresse. Pessoas saudáveis não devem isolar seus pets, mas precisam seguir as determinações sanitárias impostas pelas autoridades CONSULTA VETERINÁRIA Para o CFMV, o atendimento em clínica deve ser, preferencialmente, agendado e com a presença de apenas um responsável para evitar a concentração de humanos na área de espera |