10 de julho de 2026
Internacional

Acordo entre rivais evita eleição em Israel

Estadão Conteúdo - Site
| Tempo de leitura: 2 min

Jerusalém - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e seu rival Benny Gantz fecharam um acordo para formar um governo de emergência em meio à pandemia do coronavírus. A decisão põe fim a um ano de paralisia política, marcada pela ausência de maioria no Parlamento após três eleições e consolida Netanyahu no poder, mais uma vez, mesmo após o premiê ter sido indiciado por corrupção.

O novo governo terá duração de três anos, sendo a primeira metade liderada por Netanyahu, do partido de direita Likud, e a outra, por Gantz, da coalizão Azul e Branco. Ele serviria como vice-premiê nesta primeira fase do acordo. Como aliados, Gantz e Bibi evitam uma quarta eleição, baixam o tom da retórica política dos últimos meses e oferecem uma chance de unir o país em meio à pandemia.

Em relação a Gantz, ex-chefe do Exército e novato na política, o acordo foi interpretado por muitos como um sinal de fraqueza. Suas três campanhas foram feitas com a promessa de tirar Netanyahu do poder. A decisão foi considerada "traição" por muitos deputados do Azul e Branco, principalmente porque, durante o impasse, Gantz foi ridicularizado pelo premiê.

Duas figuras importantes do Azul e Branco, Yair Lapid e Moshe Yaalon, criticaram o ex-general e definiram o acordo como "rendição".

Apesar do senso de urgência de formar um governo para combater o coronavírus, o acordo não resolve definitivamente diferenças políticas importantes entre os dois. Netanyahu pretende anexar territórios palestinos na Cisjordânia, mas Gantz diz que só apoia a anexação se houver consenso internacional, o que não deve ocorrer.

O acordo entre os dois adia a anexação até 1 de julho e declara que ela deve ser feita de maneira a salvaguardar os interesses de Israel, "incluindo as necessidades de preservar a estabilidade regional, protegendo os acordos de paz existentes e aspirando a futuros". No entanto, o trato deixa as determinações para o governo e diz que Gantz só terá direito a ser "consultado" sobre o tema e não terá poder de veto.