São Paulo - A cotação comercial do dólar teve forte alta de 1,887% nesta quarta (22), a R$ 5,4094 novo recorde nominal (sem contar a inflação). Na máxima do dia, a moeda foi a R$ 5,4160. O turismo está a R$ 5,65 na venda. No ano, a divisa acumula valorização de 35%, ficando R$ 1,40 mais cara.
Em termos reais (corrigidos pela inflação), o dólar ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.
Segundo analistas, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, deixou claro ao mercado, em videoconferências na segunda (20), de que a instituição deve fazer novos cortes na Selic e que, mesmo com o juros baixo, a política monetária ainda pode estimular a economia.
Campos Neto também apontou que o cenário mudou desde a última reunião, em 18 de março, e está favorável a novas reduções na Selic, com queda nas expectativas de inflação.
Segundo o boletim Focus, economistas preveem a Selic a 3% ao fim de 2020. Dentre os cinco economistas que mais acertam, a projeção é de 2,50%.Para o IPCA, a previsão é de 2,23% este ano, ante 2,52% no levantamento da semana passada. Caso a expectativa se concretize, a inflação ficaria abaixo do centro da meta de 4%, que tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Juros mais baixos contribuem para a alta do dólar por meio do carry trade. Nesta prática de investimento, o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os Estados Unidos, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil.
Com a Selic na mínima histórica de 3,75% ao ano, e expectativa que caia mais, investir no Brasil fica menos vantajoso, o que contribui com uma fuga de dólares do País.