10 de julho de 2026
Política

Presidente: paciência está no limite com crise

FolhaPress
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Brasília - Em meio à crise do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem dado demonstrações de impaciência com seus apoiadores. As respostas ríspidas, antes reservadas apenas aos jornalistas, agora são dadas também a pessoas que integram a claque que costuma ir à portaria do Palácio da Alvorada.

Nesta quarta (22), um senhor começou a falar pedindo que Bolsonaro desse atenção aos lotéricos. Bolsonaro logo interviu. "O senhor não está acompanhando os lotéricos, então. Com todo respeito. Nós convidamos vocês, demos uma cesta de vantagens sem vocês pedirem nada. O pessoal, 98% ficou satisfeito. Fecharam as lotéricas. Fiz um decreto, abri, 3 mil loterias fechadas. Então, não sei mais o que o senhor quer", disse.

Logo depois, foi chamado por um outro homem que pediu que o presidente gravasse vídeo de apoio a uma "maratona verde" de plantio de árvores em Londrina (PR). Outra resposta ríspida. "Quando eu convido, estou presente. Não tem como", afirmou Bolsonaro, ao justificar a negativa ao apoiador.

Na quarta-feira passada (15), Bolsonaro ouviu cobranças de apoiadores aglomerados e não escondeu seu incômodo. "Pessoal, se eu parar aqui para ouvir cada um com um problema, não paro mais", disse. Cartas, sugestões de projetos de lei e bandeiras, por exemplo, não podem mais entrar na área reservada aos fãs de Bolsonaro.

Além disso, Bolsonaro deu início a uma operação que pode deixá-lo numa saia-justa com sua militância. O presidente tem recebido dirigentes de partidos do centrão no Palácio do Planalto para que seu governo negocie cargos em troca de apoio.