Os clubes de campo de Bauru também sofrem com os efeitos causados pela pandemia de coronavírus. O decreto municipal, publicado na quarta-feira (22), pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta, estabelece que aos clubes, associações e locais esportivos (públicos ou privados) fica "proibida a utilização de quaisquer espaços, equipamentos e congêneres, destinados à prática esportiva".
Entretanto, o Bauru Tênis Clube (BTC) e a Associação Luso Brasileira de Bauru, apesar de acatarem, questionam a posição da administração do município, alegando que as instalações de ambos poderiam ser utilizadas pelos sócios em atividades que não gerariam aglomerações de pessoas e possibilitariam uma atividade de lazer para os bauruenses no período de quarentena.
"O Bauru Tênis Clube vai respeitar o decreto municipal. Apesar do esforço que nós fizemos para convencer o prefeito de que poderíamos ter uma liberação parcial das atividades. Até porque é um apelo do grande número de sócios que temos para que atividades que não provoquem aglomeração, que não permitam aproximação entre os sócios pudessem ser permitidas. Como, por exemplo, as partidas de tênis, em que a distância entre um atleta e outro é mais de 20 metros. Ou então, caminhar no bosque, já que temos mais de oito alqueires aqui. Isso poderia ser permitido em nosso entendimento", explica o presidente do BTC, José Roberto Segalla.
O presidente da Luso, Waldir Messias Meirelles, também não concorda com o decreto e considera a decisão radical e que necessitaria de mais flexibilidade. Ele alega que o clube oferece outras atividades além do lazer, como fisioterapia e personal trainer. Uma maneira da instituição funcionar na quarentena seria através de controle das pessoas na entrada.
"Nós temos uma portaria. Assim como funcionam esses lugares como mercado e outros setores. Poderia se fazer uma contagem na portaria e também de acordo com os horários. É serviço para nós, mas estamos atendendo o sócio. Então, a gente conseguiria estar com os funcionários, os instrutores, os fisioterapeutas. Todos lá ajudando. Garanto que o pessoal ia. Temos uma área muito grande lá, com oito alqueires. Muito maior do que uma área estreita em um condomínio caminhando", ressalta.
OPÇÕES DE LAZER
PARA A POPULAÇÃO
Para Segalla, não tem sentido proibir o uso de um clube de campo se os bauruenses estão fazendo exercícios físicos em outros locais da cidade. "As pessoas estão caminhando na avenida Getúlio Vargas. Não é só lá. Em vários locais da cidade. Elas não ficam sem fazer seus exercícios. Ocorre que toda vez que você passa na rua e vê as pessoas fazendo exercício físico você, que foi só até a padaria ou ao supermercado, fica achando que se eles podem você também pode. Então, você é estimulado a sair para a rua. Se ele (prefeito) permitisse isso dentro do clube, ninguém está vendo, porque está caminhando dentro do clube. A pessoa que quer fazer um exercício faria dentro do clube, fora da vista dos outros. O mesmo risco que a pessoa teria no tênis, ela terá na Getúlio Vargas", opina.
Além de disponibilizar um local para as pessoas fazerem seus exercícios, a abertura do BTC e da Luso serviria para movimentar os clubes com algumas atividades, já que eles, assim como outros setores da economia, também vêm sofrendo com o tempo sem atividades.
"Os clubes não têm outra receita a não ser mensalidade. Você não usando, a receita está lá embaixo. Qual vai ser o risco daqui a dez, 15 ou 20 dias? Nós já tivemos uma queda significativa. Mais uma dessa, talvez não aguentemos. Então, qual o pior risco? Você tentar fazer uma coisa ordenada, certinho, olhando e tentando resolver os riscos ou deixar tudo fechado e não ter mais o retorno de nada? Esse é o problema", argumenta Meirelles.