09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Deus salve o rei!

Clarete Bomfim - Pedagoga, roteirista e blogueira
| Tempo de leitura: 3 min

Algumas pessoas estão comentando nas redes sociais sobre a mudança no regime político para a Monarquia, como forma de colocar a máquina administrativa do país nos trilhos, mudando a situação atual. Confesso que, no primeiro momento, minha reação foi a mesma que tive sobre os comentários favoráveis ao "terraplanismo". Será que as pessoas estão curiosas em descobrir como era a vida na Idade Média? Seria uma síndrome provocada pelo isolamento social, desenvolvida entre as pessoas cujo o exercício mais praticado é a maratona de séries televisivas ou pela internet, no estilo "Game Of Thrones"?

Atualmente acompanhamos alguns países de primeiro mundo com um regime monárquico de sucesso, de grande aprovação popular, com a divulgação de raríssimos casos de corrupção, possuindo uma estrutura educacional de qualidade e com baixíssimos índices de pobreza. Posso citar como exemplo a Inglaterra, Espanha, Emirados Árabes e Japão. Então não podemos menosprezar quem possa ter levantado esta possibilidade, já que a república ainda não fez jus as palavras de "Ordem e Progresso", estampadas na bandeira brasileira, desde 1889.

Por quantas crises econômicas, políticas e sociais já passamos? Entra e sai governo e ainda não encontramos um político que, chegando ao poder público em qualquer esfera, não tenha pisado na lama da corrupção em maior ou menor grau. Durante a campanha eleitoral promete melhorar a vida do cidadão, mas, ao final do mandato, "tudo continua como dantes no quartel de Abrantes". Muitas vezes deixam até pior que antes.

Agora, durante este momento de pandemia, vemos governos federal, estaduais e municipais, por todo o país, em queda de braço constante entre eles, no que se refere às medidas a serem tomadas sobre o combate ao vírus e sobre as providências de auxilio econômico à população carente, sem emprego e sem renda. E as "teorias da conspiração" surgem por todo lado, sobre - de onde surgiu, quem provocou, com qual objetivo, quem pode se beneficiar politicamente com a crise...

Enquanto isso, no olho do furacão, está o povo, mergulhado num mar de fake news, sem saber no quê acreditar, estando mais uma vez do lado mais fraco da corda desse cabo de guerra político. Percebemos, então, países como os já citados acima, controlando os problemas gerados pela crise provocada pela Covid-19, com rapidez e eficiência, se utilizando de um discurso uníssono e coerente, seguindo as normas técnicas da OMS, levando transparência, tranquilidade e segurança à população.

Observando o quadro mundial por este ângulo, podemos até encontrar coerência neste modo de pensar a monarquia como regime de governo mais eficiente do que a república, desde que mantenha o regime democrático de direito, sendo aliada ao sistema parlamentarista, pautada por uma Constituição e um Parlamento eleito pelo povo. Já conhecemos bem como funciona um país governado por ditadura militar autoritária e acredito que ninguém está curioso em conhecer uma monarquia ditatorial.

Mas, antes de se iniciar algum movimento de articulação popular neste sentido, deve-se levar em conta a tradição centenária destes países ricos e até milenar no caso do Japão, cuja dinastia já está no poder há quase mil e quinhentos anos. É uma questão cultural, com características particulares e peculiares de cada país.

Seria muito complicado, nos dias atuais, sair à caça dos remanescentes da família de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, mais conhecido pelos livros de história como Dom Pedro II, para escolha de quem seria o rei ou rainha do Brasil. Já pensou? Mais uma despesa para os cofres públicos, que teria de mantê-los com toda a pompa e circunstância que requer a realeza? Entendo que já temos despesas demais, não é mesmo?