09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Carta ao povo lençoense

Cíntia Duarte - Vice-prefeita, mulher, mãe e lençoense
| Tempo de leitura: 4 min

As maiores decisões da nossa trajetória são tomadas diante dos maiores enfrentamentos que surgem. Quando atravessamos graves problemas pessoais e aprendemos com eles, nos tornamos ainda mais sábias e fortes, o mesmo acontece com a família que, unida, supera qualquer obstáculo, assim como as comunidades que, organizadas e instruídas, são capazes de superar as questões mais profundas, como este período de medos e incertezas ao qual fomos inesperadamente submetidas enquanto humanidade, brasileiras, paulistas e lençoenses. Estou certa de que iremos sobreviver, mas será preciso sacrifícios, sabedoria, altruísmo e, especialmente, confiança em Deus.

Cada um enfrentará, devido à posição que ocupa em sua família, em seus negócios e na sociedade, a tormenta de modo particular, portanto, não é hora para juízo de valor, haja vista que desconhecemos as realidades, as obrigações e os corações das pessoas perante às responsabilidades de cada um. Como cristã, aprendi que não devo atirar pedras, e sim amar ao próximo. Não vou à igreja ou batizei meus filhos por mera convenção, mas porque acredito em Cristo. Como mãe, devo proteger meus filhos. Como esposa, devo estar ao lado do meu marido. Como vice-prefeita, devo contribuir com o povo. Assim, como quem buscou o próprio espaço e traçou o próprio caminho, tomo decisões pelo que diz o meu coração em resposta às minhas orações, amparada pela minha família e pelas pessoas nas quais confio. Então, munida da minha convicção e garra de mulher, projetei o percurso que devo percorrer para salvaguardar e defender aos que amo, que são muitos e são preciosos para mim, além do amor que também sinto por esta amada cidade e toda a nossa gente.

Como exemplo que arrasta, segui os passos de um irmão de longa data, que também é uma das pessoas em quem mais confio, o prefeito Prado, que abriu mão de uma parte significativa do seu salário neste período em que ele trabalha mais do que nunca. Ele mostrou que irá sangrar também, junto com tantos outros munícipes, amigos e comerciantes. Assim, neste momento, faço a minha parte retirando-me da vida pública, gerando economia aos cofres municipais que sofrerão o golpe econômico violento das crises causadas pela Covid-19. Faço isso também porque sinto (que é mais intenso do que ter certeza), que Lençóis Paulista tem um líder capaz de conduzir com firmeza e esperança a cidade nesta tempestade, que irá passar aos poucos. Conheço, de perto, o coração e a capacidade do Prado, e isso me inspira do mesmo modo que me oferece segurança enquanto cidadã desta terra abençoada, que tem um cristão como Chefe do Poder Executivo.

Recolho-me da vida pública porque, neste momento, também é preciso proteger a minha família e a sobrevivência dela, pois, seguindo na Prefeitura, não poderia estar à frente da empresa que leva o meu nome e coloca o sustento à mesa onde se alimentam os meus amados filhos, o meu amado esposo e eu mesma. Não é novidade para ninguém que não sou de família rica ou nobre, sou filha de trabalhadores, casada com um trabalhador e uma trabalhadora também. Foi o trabalho e o amor que construíram a minha história.

Aprendi muito na política, especialmente a ser mais forte. Muitos foram os desafios que, um dia, contarei com mais tempo e calma, quem sabe em cartas endereçadas às mulheres. Tantas denúncias e exposições, tantas calúnias e perseguições. Mas não sou a primeira mulher perseguida na política e não serei a última. A certeza é de que o poder corrompe aos fracos e, na ânsia pelo poder, pessoas que o buscam a qualquer preço ofendem e atacam pessoas de bem, famílias de bem. Isso ocorre muito aqui. Nossa comunidade ainda não descobriu quem são os lobos e as aves de rapina que se disfarçam como ovelhas dóceis e pássaros gentis.

Não entendo o porquê de tanto ódio. Tal decisão não será unânime, sofrerei críticas e serei atacada como foi o prefeito, por oportunismo eleitoral. Todavia, o que importa à alma é a consciência, só nós mesmos reconhecemos a profundidade das nossas próprias dores.

Seguirei lutando pelo que acredito, que é um futuro sempre melhor para os meus filhos, para uma cidade justa e igualitária, que tenha uma Administração com um olhar humano, que se preocupa com pessoas, como a qual trabalhei até o dia de hoje. Despeço-me, por um momento, da vida pública, porém, a luta nunca irá cessar. Seguiremos com humildade e valentia na mesma marcha, lutando, cada um ao seu jeito, por dias melhores. Por fim, peço ao prefeito Prado que, assim como a economia do seu salário, a minha também seja usada para aquisição de testes-rápidos no enfrentamento da Covid-19, doença a qual venceremos, juntos.

Agradeço a Deus e ao povo pela oportunidade incrível de ter sido a primeira vice-prefeita da nossa história. Com carinho e muito amor, meu muito obrigada.