09 de julho de 2026
Articulistas

Eram tempos de guerra...

Archimedes Azevedo Raia Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

"Eram tempos de guerra e tudo desmoronava". Esta frase, conhecida no mundo todo, foi proclamada por Chiara Lubich, grande mística, humanista, escritora e fundadora do Movimento dos Focolares, hoje, espalhado em 185 nações, com milhares de seguidores. Lubich a ela se referia toda vez que era chamada a contar a história dos Focolares.

Tudo começou durante a 2ª Guerra Mundial, quando Trento, sua cidade natal, situada no norte da Itália, era bombardeada pelos aviões e os moradores eram obrigados a se abrigar, por diversas vezes ao dia, nos abrigos antiaéreos. Tempos de muita dor e sofrimento. Dentre essas pessoas, estavam Chiara e suas amigas, que tinham, em média, 16 anos. Eram apenas adolescentes, porém, sentiam que as suas vidas estavam por um fio, pois recorrentemente tinham a sensação de que elas, seus familiares e amigos, poderiam ser atingidos pelas bombas. Entenderam que tudo que amavam na vida e seus ideais, a qualquer instante, poderiam se esvair, e a única coisa que permanecia era Deus.

A situação calamitosa da época não era tão diferente daquela enfrentada nos dias atuais. Na maior parte do tempo, as pessoas são obrigadas a ficar "aquarteladas" em suas casas para escapar das "bombas viróticas". O mundo, neste período de pandemia, tem registrado muitos exemplos negativos, com ações que denotam o egoísmo, o sectarismo, a falta de sensibilidade de autoridades e cidadãos. Porém, o belicismo pandêmico tem suscitado a reflexão em milhares de pessoas sobre a forma como a sociedade caminha nos tempos modernos.

O Papa Francisco, em uma das últimas bênçãos do urbi et orbi, foi incisivo em apontar que o mundo está enfermiço. "A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade."

Quando tudo desmorona, as pessoas são impelidas a fazer mudanças de rumo. Não é mais possível seguir em frente negando o Transcendente, a fraternidade, o amor recíproco, o afeto e o desprendimento. Ainda assim, contempla-se inúmeras iniciativas salutares: profissionais da saúde oferecendo suas vidas para salvar outras; cidadãos oferecendo comida nas praças, nas rodovias, para aqueles que mais necessitam. Ações coletivas são empreendidas para ajudar os desvalidos nestes momentos dolorosos. Mas, não só. Quantos exemplos de interiorização, orações, reflexões, oferecimentos; um verdadeiro milagre da fé.

Fica a expectativa otimista de que a humanidade sairá desses "escombros" mais fortalecida, unida, fraterna, sensível às necessidades alheias. Tal como fez Chiara Lubich há 80 anos, o sim àquilo que edifica verdadeiramente o ser humano deverá ser replicado hoje. Que prevaleça a esperança e a verdade!