Iacanga - A Prefeitura de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) adquire 45% de produtos da agricultura familiar para a merenda escolar, quantidade maior do que o exigido por lei, que é de, no mínimo, 30%. Esses produtos, comprados com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), integram kits de alimentação que estão sendo entregues para alunos da rede municipal durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
Para viabilizar a primeira entrega dos kits, que ocorreu nos dias 23 e 24 de abril e beneficiou 75 famílias, o município contou com apoio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da Casa da Agricultura de Iacanga e da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional Bauru.
"Neste processo, conseguimos apoiar os produtores que entregam seus produtos regularmente na merenda escolar, os quais não estavam tendo este canal de comercialização por conta do fechamento temporário das escolas, e atender às famílias mais carentes de alunos matriculados", explica o coordenador de Agricultura de Iacanga, Nathan Garbo.
Marco Aurélio Beraldo, diretor da CDRS Regional Bauru, ressaltou a importância de se comprar dos produtores locais para o fortalecimento do setor neste momento de incertezas no mercado por conta da pandemia. "Solicitamos à Prefeitura que, além do fornecimento de itens secos, fossem elaboradas cestas de produtos com legumes, frutas e verduras adquiridas dos pequenos produtores, para melhorar a qualidade nutricional dessas famílias. A Prefeitura prontamente aceitou a ideia", conta.
Ticiano Antonio Ocon Chies é um dos produtores que entregou produtos para a formação das cestas. "Eu produzo tomate, pimentão, pimenta-americana, berinjela, cheiro-verde, abobrinha e limão. Nos últimos dias, tive uma redução nos pedidos de quase 70%, aliado ao fato de a escolas estarem fechadas. Por isso, estou torcendo para que as entregas continuem neste período tão difícil", diz.
REGIÃO
O diretor da CDRS Regional destaca que a ação de Iacanga está sendo divulgada para outros municípios de sua área de atuação e que alguns já estão adquirindo produtos da agricultura familiar para entrega de kits. "É o caso de Agudos e Cabrália Paulista. E Arealva está iniciando o processo", revela. "Esta ação possibilita a comercialização de pelo menos parte da produção, principalmente de hortaliças e frutas, para que as perdas não sejam tão significativas".