10 de julho de 2026
Geral

Sem termo assinado, USP autoriza abertura emergencial de leitos no HC

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Em razão da epidemia da Covid-19 e da necessidade de leitos para Bauru, a USP informou que encaminhará ao Estado um documento temporário autorizando a abertura emergencial de 40 leitos de retaguarda no Hospital das Clínicas (HC). A informação foi obtida pela reportagem às 21h desta quinta-feira (30) junto ao superintendente do HRAC/Centrinho e diretor da FOB, Carlos Ferreira Santos. A expectativa é de que o protocolo de intenções seja assinado nos próximos dias com a Secretaria de Estado da Saúde, o que permitirá que a Famesp comece, enfim, a ativar o local.

A abertura dos 40 leitos de baixa e média complexidade no HC (também conhecido como "predião") deve ajudar a desafogar o Hospital Estadual (HE), única unidade pública de referência para a Covid-19 em Bauru e mais 17 municípios (leia mais ao lado). O novo hospital será de retaguarda e não atenderá casos do novo coronavírus, auxiliando a cidade em outras demandas.

Desde o ano passado, a USP aguardava assinatura de um acordo de cooperação técnica por parte do Estado para a cessão e abertura do HC. O termo garantiria o custeio da unidade via governo estadual por anos.

Em 9 de abril, a prefeitura, em coletiva junto com a Secretaria de Desenvolvimento Regional do Estado, anunciou que 40 leitos seriam abertos no HC, mas o Estado nunca assinou o termo junto à Reitoria da USP. O fato impedia que a Famesp entrasse no local e iniciasse o processo de ativação, com a contratação de funcionários e instalação de equipamentos.

O impasse da assinatura se daria principalmente em relação ao longo compromisso com o custeio da unidade, que deve girar em torno de R$ 3 milhões por mês.

NÃO SUBSTITUI

Como forma de viabilizar a ativação do HC mesmo com a pendência, a USP resolveu elaborar um protocolo de intenções, uma espécie de termo emergencial e temporário, mas que não substituirá a assinatura do acordo de cooperação técnica, que garante o funcionamento e custeio do hospital mesmo após a epidemia.

"Trata-se de uma exceção feita pela reitoria para colaborar com a população nesta epidemia", reforça Carlos Ferreira dos Santos.

TRÊS SEMANAS

A expectativa é que o acordo, via esse protocolo de intenções, seja assinado nos próximos dias. "É uma questão burocrática, mas que impede a gente de avançar. A nossa parte fizemos, os equipamentos foram encomendados e a seleção de funcionários foi feita. O termo precisa ser assinado o quanto antes, porque os funcionários precisam ser contratados e treinados. Com a assinatura, a abertura pode levar até três semanas", explica o presidente da Famesp, Antonio Rugolo Júnior.

Questionada sobre a demora em assinar o acordo de cooperação técnica citada pelos demais órgãos, a Secretaria da Saúde do Estado se limitou a dizer que está estudando a ativação do novo Hospital das Clínicas.