11 de julho de 2026
Articulistas

Pandemia de uma nota só: nego a situação ou acho um culpado?

Clodoaldo Gazzetta
| Tempo de leitura: 2 min

Nos momentos mais difíceis da história, aqueles que não conseguem enxergar além do muro podem agir de duas formas: negam a situação ou buscam culpados.

Neste contexto, todas as manifestações são compreensíveis e traduzem exatamente o que é a natureza humana desde os primórdios do desenvolvimento das sociedades. Negar a situação atual é até plausível para aqueles que não têm a capacidade de enxergar além do muro. Mas insistir num discurso da dicotomia entre saúde e economia, no momento atual, é algo tão surreal que só mesmo Tom Jobim, no seu clássico "Samba de uma nota só", poderia classificar a opinião destas pessoas como alguém "...que fala tanto e não diz nada". Interpretar a situação da cidade sem contextualizá-la com a situação do mundo dificulta a compreensão dos fatos e a possibilidade de construir ideias positivas e caminhos de diálogo. A cidade de Bauru não é uma ilha dissociada das circunstâncias e dos desdobramentos da pandemia que estamos vivendo no mundo todo. Por conta disso, na reunião virtual com o governador do Estado, a pergunta fundamental de todos os prefeitos foi no sentido da garantia de instalação de novos leitos, uma vez que a reabertura da economia convencional só acontecerá, efetivamente, nos municípios que tiverem uma retaguarda hospitalar e que garantam aos trabalhadores e à população mais pobre o direito e o acesso aos hospitais e aos leitos de UTI.

Para quem ainda não entendeu, essa é a chave para reabrir a porta do passado. Se algumas pessoas não conseguem compreender esta nova lógica mundial, olhem pelas janelas e vejam o que está acontecendo no mundo real. Para a economia funcionar, a saúde precisa dar a retaguarda. Cidades sem leitos hospitalares adequados serão as últimas na fila de espera para reabertura, aqui e no mundo todo.

Portanto, não há visão dicotômica, meu caro economista! Entendo que algumas pessoas até imaginam que o ideal é ter uma sociedade composta apenas por pessoas copiadas de uma fórmula única, subservientes à dinâmica convencional de organização do mundo e do poder para atendimento dos anseios daquelas "lideranças" ditas dominantes. Felizmente, o mundo não é assim e, muito menos, esperem isso de mim! Minha posição, como prefeito, no enfrentamento desta que é a maior crise da historia contemporânea da humanidade, primeiro é respeitar o direito fundamental à vida e não ser subserviente a quem quer que seja.

Depois é assumir a responsabilidade que me cabe, ao invés de achar culpados pelas curvas que a vida me impõe pelo caminho. E, por fim, ter a clareza de que todos estamos de passagem e precisamos construir, com transparência e trabalho, uma sociedade mais justa e humanitária. Madre Tereza de Calcutá sempre dizia que "Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz". É isso que faço todos os dias, sendo prefeito ou não!