A pandemia do novo coronavírus trouxe consequências alarmantes à saúde e à economia mundiais. Em Bauru, o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos seus os bens e serviços, poderá chegar a R$ 12,35 bilhões neste ano, em torno de R$ 788 milhões a menos do que o período anterior. É o que estima o economista Reinaldo Cafeo. E esta projeção, segundo ele, considera que haja flexibilização do comércio já a partir de 11 de maio, conforme inicialmente aventado pelo governo estadual.
O profissional, que também foi delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP), em Bauru, explica que o seu cálculo partiu da regionalização dos números nacionais combinados.
Em seguida, Cafeo fez um escalonamento. "A queda começou em março, atingiu o pico em abril e, gradativamente, a economia passará a se recuperar a partir de maio", pressupõe.
Mesmo assim, o economista espera uma diminuição nominal, incluindo a inflação, de 6% do PIB bauruense até o final deste ano, se comparado ao resultado de 2019, que atingiu a casa dos R$ 13,14 bilhões.
Segundo ele, como 70% da matriz econômica da cidade corresponde ao setor de comércio e serviços, o segmento, um dos mais prejudicados pela quarentena, puxará o faturamento para baixo, seguido da indústria (28%) e da agropecuária (2%).
Caso a expectativa de Reinaldo Cafeo quanto à flexibilização dos serviços não essenciais deixe de se concretizar neste próximo dia 11, ele adianta que os números deverão ser ainda piores.
Por outro lado, o especialista informa que alguns setores conseguirão se recuperar mais rapidamente. "A nossa economia não depende só do mercado doméstico. Veja o exemplo do segmento de baterias: a China e alguns países já começaram a retomar as exportações", defende.
PERSPECTIVAS
Por isso, o economista calcula que o município crescerá, em 2021, cerca de 2%. O fato de a base de comparação, que diz respeito a 2020, ser muito baixa também justificará essa eventual aparente alavancada.
Cafeo prevê, ainda, que haja uma injeção considerável de recursos públicos, principalmente, na área de infraestrutura. Apesar disso, o especialista acredita que a cidade só conseguirá atingir o mesmo nível de riqueza registrado em 2019 dentro de um ano e três meses.
Quando o faturamento cai, a fila do desemprego sobe. "Provavelmente, teremos uma precarização do trabalho, ou seja, as pessoas se contentarão em atuar de maneira intermitente e até informal. A tendência causará o agravamento da questão social e, consequentemente, a perda da qualidade de vida", argumenta.
DESAFIOS
Para o economista, qualquer recuperação econômica depende da força do setor privado. "Porém, nos depararemos com um problema envolvendo o capital estrangeiro, porque o Brasil estará com a relação das contas públicas muito precária", contrapõe.
Logo, restará aos governos investirem na geração de riquezas. "Todo o esforço precisa ser canalizado para a construção civil, as obras em estradas etc. Não tenho dúvidas de que o poder público enfrentará um desafio e tanto, afinal, também perderá arrecadação", finaliza.