09 de julho de 2026
Articulistas

Carta às Mulheres

Priscila Bianchini de Assunção Alferes
| Tempo de leitura: 2 min

Em um ambiente alegre, pelas pessoas que o compõem, árduo, mas gratificante, composto de diversos procedimentos de capas amarelas empilhados, cada um narrando uma história triste e nada agradável, foi assim que passei meus últimos 9 (nove) anos de trabalho. Formado por pessoas de diferentes ideologias, capacitadas, empenhadas, carregando em seus rostos o abatimento de anos dedicados à profissão, profissionais vocacionados, sem os quais nada aconteceria. Pessoas circulam diariamente buscando uma solução de seus problemas, procuram amparo, acolhimento e esperança, demonstram sofrimento. São de todas as classes sociais, especificamente mulheres, as quais são mães, filhas, irmãs, netas, sobrinhas, cunhadas, sogras, todas com um propósito: Justiça!

Muitas vezes sentia-me impotente, com a sensação que o propósito não seria alcançado e que as mudanças não estariam apenas em nossas mãos, entretanto, não estaríamos sós, tínhamos uma rede de proteção à mulher, de diversas áreas, com mesmo propósito, instituições sérias às quais devo todo meu respeito, como a OAB, Creas, CRM, Casa da Mulher, Anexo da Violência Doméstica, Conselho de Políticas para Mulheres. Gratidão!

Ah, queridas mulheres..., se soubessem que as coisas não são tão simples quanto parecem e que a sociedade ideal, realmente, está somente em nossas ideias..., mas mesmo assim continuaremos buscando respeito e igualdade de gêneros de maneira constante e contínua, juntas e aliadas. A Delegacia de Defesa da Mulher não mede esforços para atender às vítimas com qualidade e eficiência, buscando por uma sociedade mais igualitária, com menos delinquência contra nós, mulheres, e também contra as crianças e adolescentes, sempre será a porta aberta, a cúmplice na repressão da violência de gêneros.

Queridas, que tenhamos a sabedoria de Minerva, a liderança de Cleópatra, sejamos destemidas como Leila Diniz, militantes como Maria Quitéria e Joana D´Arc, revolucionárias como Anita Garibaldi, missionárias como Madre Teresa de Calcutá, loucas como Carlota Joaquina, poeta como Cora Carolina, belas como Marylin Monroe e mães como Maria. Porque nesse ambiente laborioso vocês irão encontrar apenas parte de seus desígnios, a outra parte devem buscar na filosofia da vida, aliada à inteligência emocional, autoconhecimento, autoconfiança, autovalorização, sejam sexys e atraentes, acompanhadas ou sós, porém, acompanhadas, apenas se valorizadas, se libertem do que não as fazem bem, afinal, somos livres!

Foram 9 (nove) anos de dedicação às vítimas de violência doméstica, crianças e adolescentes da cidade de Bauru, vários inquéritos policiais e termos circunstanciados instaurados, medidas protetivas requeridas, prisões cumpridas, buscas e apreensões realizadas, diversos encaminhamentos e orientações, sentirei saudades, mas busco novos aprendizados.

Gratidão pela sabedoria adquirida.

Boa sorte para minha sucessora!