A dona de casa Simone Flores, 39 anos, compartilha nas redes sociais o dia a dia ao lado do marido, o metalúrgico Valdonir Schutz, 41. Ela mostra a rotina dos dois e brinca com as dificuldades da hiperconvivência nesta quarentena imposta pela pandeia de coronavírus, mas procura reduzir os impasses.
"Tento não ser muito mandona e não botar muita pressão nas tarefas domésticas. Digo que, se não estiver a fim de acompanhar, não faz. E quando brigamos, sentamos e conversamos. Deixar o outro mais livre para fazer suas atividades é melhor do que cobrar", diz ela, que gosta de cultivar hobbies sem precisar da companhia do outro, como a leitura.
Preservar a individualidade e ter um olhar positivo para o outro são duas das recomendações de especialistas para reduzir o estresse e melhorar o convívio dentro de casa (confira as outras nesta página). A verdade é que ficar sob o mesmo teto por tanto tempo, lidando com divergências e conflitos do dia a dia, não é fácil para ninguém e é preciso fazer algum esforço para que a relação sobreviva sem sequelas à quarentena.
A terapeuta especialista em casais Renata Azevedo explica que é um momento de muito estresse, mas é possível transformar a quarentena numa fase de aproximação. "É uma situação nova para todo mundo, só que acabamos descontando o estresse e a irritação no parceiro. É importante entender que quanto pior estiver a relação, pior será o convívio. E nesse momento muitos estão tendo contato apenas com marido, esposa. É preciso olhar para a relação de forma carinhosa, pois, além de companheiro, quem está do seu lado pode te dar apoio emocional nesse momento difícil", explica. O casal de atores Manoel Madeira, 35 anos, e Anita Mafra, 37, encontrou na produção de curtas uma forma de amenizar a angústia do isolamento. Os dois fazem um cenário na sala de casa e encenam seus dramas do confinamento. Grávida de nove meses, ela mostra de forma bem-humorada os anseios da espera pelo filho, Gael.
"Muitas cenas que a gente retratou são diálogos reais nossos. Agora com a quarentena é comum discutir sobre coisas mais bobas, como o tempo que cada um passa no celular e a limpeza", revela Manoel.
A terapeuta Renata Azevedo ressalta a importância de respeitar as atividades de cada um para evitar conflitos: "É importante ter horário para acordar, almoçar e acabar o trabalho. O casal deve preservar a individualidade de cada um, ter paciência com as manias do outro e se perguntar se valem a pena determinadas discussões. Quando os dois se unem, se apoiam e pensam em soluções, a tendência é que o casamento se fortaleça, porque dá uma sensação de nós contra o mundo".
Mas a verdade é que ninguém escolheria conviver só com a família, mais de um mês sem sair de casa, como diz a empresária Jéssica Abreu, 38 anos. Casada há 12 anos com o músico e produtor Rodrigo Bessa, com quem empreende no setor cultural há três, ela costuma viajar com ele a trabalho pelo menos uma vez por mês. No dia a dia, conciliam a vida de casal com as rotinas do filho dos dois, Rodrigo, de 8 anos, da filha do primeiro casamento dela, Ana Carolina, de 22, e da filha do primeiro casamento dele, Lara, de 17. Agora, com eventos profissionais cancelados e prejuízo financeiro acumulado, os cinco enfrentam o desafio da hiperconvivência imposta pela quarentena.
"Antes cada um tinha um horário em casa, não almoçávamos juntos. Agora nos reunimos nas refeições principais e estamos nos vendo de fato como uma família. Cada um tem se esforçado e feito a sua parte. Mas, às vezes, a gente se irrita porque tem uma expectativa sobre o outro, e acha que ele poderia ter nos poupado de alguma tarefa, mas exercitamos a paciência para não acabar eclodindo um problema", afirma Jéssica.