10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O ESPANTALHO DO "DEFENDAM O SUS"

João Vitor Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Diante da crise na saúde que estamos presenciando, a moda agora é adotar o slogan "defendam o SUS". Pergunto-me, primeiro, defender do quê. Má administração? Nepotismo? Falta de verba? Se fosse defender disso eu até faria coro. Mas me parece que a defesa é sobre algum plano de "ultra privatização" do sistema de saúde. Digo-lhes que isso é uma viagem total! Que liberal, político ou economista brasileiro defende a privatização do SUS? Quem inventou esse espantalho com certeza não sabe que parte considerável do SUS funciona com parcerias privadas (principalmente norte e nordeste). O surpreendente é ver gente dizendo que não pode falar mal do SUS, não falar que tem problemas, não falar da demora, nem das condições precárias e já colapsadas que nosso sistema enfrenta. Isso chega a ser antidemocrático, porque é falando que exigimos melhoras.

Para manter o SUS não é preciso 430 estatais, 47% do crédito da economia definido pelo governo, 42% de carga tributária, subsidiar grandes empresas, bancar aposentadoria para uma minoria aos 54 anos. O Estado brasileiro consome 42% da riqueza gerada pela sua população, deste valor, menos de 10% vai para o SUS. Gastamos metade do que o governo dos EUA, da Inglaterra e dos demais membros da OCDE gastam em saúde.

Por outro lado, somos o país que melhor paga seus servidores públicos, gastamos mais do que a média em educação, gastamos muito mais do que a média em previdência, temos metade do crédito e do sistema financeiro nas mãos do governo - coisas que custam 90% do orçamento público.

Essa defesa do SUS como se ele estivesse em risco porque existem pessoas que defendem reduzir o tamanho do Estado é um papo furado. Não cola. Usar o SUS para defender nosso modelo atual de Estado é um absurdo.

O Estado brasileiro é um monstrengo estúpido que faz mil e uma atividades e centraliza tomadas de decisão. É inconcebível, para mim, defender acesso à saúde sem defender redução de funções do Estado.