Quando soube que a agência sempre distribui 200 senhas por dia para atendimento geral e 50 para preferencial, Luciana Dias foi incumbida pela mãe de contar o número de pessoas que já estavam esperando. "149, 150. Acho que vai dar." As crianças, que foram para acompanhar as mães e que se conheceram ali, agora brincam como se fossem amigas de infância. Vitalina Santos, 62 anos, ri quando alguém pergunta se ela faz parte do grupo de risco. "Faço parte de dois: o grupo dos idosos e o grupo dos que passam fome. Eu não tenho opção. Você acha que o governo se importa com as pessoas que estão dormindo nas filas? Eles nunca devem ter entrado numa fila."