11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Na fila, toda a madrugada, com frio e com fome para sacar R$ 600,00

Estadão Conteúdo - Site
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Na madrugada fria da periferia de São Paulo, um grupo de pessoas enfrenta pacientemente uma prova de resistência que, para alguns deles, vai durar até 16 horas. Em frente a uma agência da Caixa, o sacrifício é pelo auxílio emergencial de R$ 600 a R$ 1.200, concedido a brasileiros de baixa renda que ficaram sem sustento após a crise desencadeada pelo novo coronavírus.

A dona de casa Alexandra da Rocha, 43 anos, virou lenda ali. Ao tentar ser atendida no dia anterior e ouvir do funcionário que ela tinha chegado tarde demais, não pensou duas vezes: voltou às 18h, improvisou uma cama apoiada nas portas de vidro do prédio e decidiu que só sairia dali no dia seguinte com seu dinheiro. "A gente evita se queixar, mas não dá para entender o tamanho dessa fila. Se eles têm os dados, se as pessoas já sabem o nosso CPF e a gente já foi aprovado para re, como é que eles não conseguem pagar? "

A fila da agência da Caixa no Grajaú, zona sul de São Paulo, se repetiu por todo o Brasil nos últimos dias. Com o início do pagamento do benefício, as portas das agências da Caixa viraram local de peregrinação de um exército de brasileiros que viu a pouca renda que tinha sumir com a pandemia.

O objetivo, em geral, é conseguir driblar as burocracias que foram impostas para receber o benefício. A noite de sono de muitos deles tem sido trocada pela ida à agência para conseguir, por exemplo, um código que serve para gerir a poupança virtual social aberta pela Caixa para o recebimento do benefício e, assim, poder sacar e movimentar os R$ 600.

"Isto aqui é uma humilhação. Até as pessoas que passam de ônibus aqui em frente, na avenida, se espantam ao ver tanta gente aglomerada, quando todo mundo diz que não é para ficar desse jeito. Elas não acreditam que a gente possa ter de passar a noite aqui, se expor a todo tipo de risco, para ganhar o mínimo para sobreviver", se emociona o desempregado Lucimar Costa, de 51 anos.