09 de julho de 2026
Internacional

Após 2 meses, Itália relaxa quarentena e experimenta o 'novo normal'

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

Roma - Foram 56 dias, oito semanas, de uma quarentena que obrigou 60 milhões de pessoas a ficar em casa. Mas, nesta segunda-feira (4), a Itália começou a reabrir suas cidades, em meio a muitas incertezas. O país, epicentro inicial de contaminação do coronavírus fora da China, foi o primeiro do mundo a entrar inteiramente em confinamento. E agora experimenta como recomeçar parte das atividades econômicas e sociais e, ao mesmo, conviver com o vírus.

Depois de 29 mil mortes e mais de 211 mil contaminados, a Itália ainda tem 100 mil pessoas atualmente diagnosticadas com a Covid-19, internadas ou isoladas em casa. Mas a economia italiana, uma das mais frágeis da Europa e que já teve queda de 4,7% do PIB no primeiro trimestre, exige a retomada.

É seguro sair às ruas com o vírus ainda em circulação? As autoridades sanitárias terão agilidade para identificar e isolar novos casos? As regras de segurança serão respeitadas pelos cidadãos? Sem escolas, como as famílias vão dar conta de conciliar o trabalho e a rotina dos filhos? Depois de tanto tempo de suspensão e com novas regras de funcionamento, quanto da atividade produtiva consegue reabrir?

Sem nenhuma dessas respostas, 4,4 milhões de pessoas voltam nesta semana ao trabalho em indústrias, fábricas, construção civil, comércio por atacado e escritórios - são quase cem setores liberados. Todos devem cumprir um protocolo de segurança que inclui distanciamento entre funcionários, máscaras, higienizantes para as mãos, sanitização de ambientes e medida da temperatura no início do expediente, além de outras exigências específicas para cada segmento.

Um dos maiores impactos nas cidades - e grande fonte de preocupação das autoridades sanitárias - é a circulação de pessoas nos meios públicos de transporte. Nesta segunda, o controle foi rígido nas estações de Milão, na Lombardia, a região mais afetada pela epidemia, com metade das mortes de todo o país. Metrô, ônibus e bondes voltaram a operar com toda a frota, mas só 25% do espaço interno pode ser ocupado, para que seja atendida a distância entre passageiros.

Além da economia, um pouco de vida social também renasce. Visitas familiares e "afetivas estáveis" estão liberadas (proibido fazer festa) e os parques estão reabertos (proibidos parquinho e piquenique). As crianças podem, finalmente, voltar a circular. E, já neste primeiro dia, elas encheram calçadas e parques com carrinhos, patinetes e bicicletas.

Alvo de debate nos últimos dias, os encontros entre amigos, mesmo os privados, continuam vetados, ainda que não se saiba muito bem se haverá fiscalização e como ela será feita.

A Itália que volta às ruas lentamente agora convive com regras muito mais restritivas do que as que estão em vigor em São Paulo - o estado brasileiro mais atingido pela pandemia.

Algumas proibições implantadas no país europeu não tiveram semelhantes por aqui, como a proibição de as crianças saírem às ruas durante três semanas e o veto à prática de exercícios físicos em abril na região da Lombardia.

Em outras áreas do país era possível caminhar ou correr sozinho, desde que perto de casa. Andar de bicicleta e jogos ao ar livre também foram completamento vetados aos italianos.