O compositor e escritor Aldir Blanc morreu, aos 73 anos, na madrugada desta segunda-feira (4), no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. Ele estava com Covid-19 e seu quadro de saúde era considerado grave.
O artista foi internado no 10 de abril, com sintomas de infecção urinária e pneumonia, e uma de suas filhas, Isabel, chegou a pedir doações para possibilitar a transferência e tratamento, então no CTI do CER do Leblon.
Novos exames mostraram suspeita de coronavírus e o compositor foi submetido ao teste específico de Covid-19, que se revelou positivo.
Canções fundamentais
Vascaíno e influente, boêmio (até quando pôde) e reservado (faceta mais acentuada nos últimos anos), Aldir era formado em medicina com especialização em psiquiatria (ofício que chegou a exercer quando moço).
Foi autor ou coautor de canções fundamentais da música popular brasileira, como "O Bêbado e a Equilibrista", "Mestre-Sala dos Mares", "De Frente Pro Crime" e "Dois Pra Lá, Dois Pra Cá", essas, com João Bosco, seu parceiro mais habitual até a década de 90.
Mas Aldir também tem dezenas de parcerias com outros músicos, como Guinga, Moacyr Luz, Cristovão Bastos (com fez o hit "Resposta ao Tempo") e Maurício Tapajós, além de outras quatro centenas de letras e composições e uma também extensa obra como cronista de revistas e jornais e autor de livros, muitos dos quais, compilações de textos inspirados na vida carioca.
Guinga, aliás, postou um desenho de Aldir e, procurado pelo JC, explicou que o autor é Mello Menezes, grande amigo do letrista. "Faz parte do encarte do disco da cantora portuguesa Maria João dedicado à poesia do Aldir", conta Guinga.
Segundo definiu a cantora Sueli Costa em um documentário dedicado a Aldir Blanc, ele tinha a capacidade de "psicografar a alma da gente". Sorte que a obra é eterna.