Medalhista de bronze mundial e campeão pan-americano de basquete pela Seleção Brasileira e um dos maiores jogadores da história do País na modalidade, Marcel Ramon Ponikwar de Souza, 63, é médico em Jundiaí (a 58 km de São Paulo), onde atende em clínicas de ultrassom.
Desde o início da pandemia de Covid-19, ele também passou a contribuir da maneira que pode para o combate ao coronavírus, respondendo a dúvidas de seus seguidores nas redes sociais. "Eu tenho ajudado as pessoas assim porque é um momento muito difícil, e elas às vezes têm receio de procurar um médico e se infectar", afirma o ex-atleta, que foi medalhista de ouro no Pan de 1987, em Indianápolis, nos Estados Unidos.
Essa é considerada uma das maiores vitórias do basquete brasileiro. A seleção derrotou os estadunidenses, que jamais haviam perdido em casa até então, na decisão. Em 1978, uma cesta dele contra a Itália, no último segundo, deu ao Brasil a medalha de bronze no Mundial das Filipinas.
Aposentado e distante do basquete desde 2014, quando deixou de ser técnico do Pinheiros, Marcel foi homenageado na sexta-feira (1) pelo ex-companheiro Oscar Schmidt com uma postagem no Instagram em que Marcel aparece com máscara, luvas, óculos e roupa de proteção.
"Sabe quem é esse da foto? É o Marcel. Aquele mesmo da seleção. Ele é médico e está trabalhando como voluntário para ajudar a tratar pacientes com suspeita de coronavírus...", escreveu Oscar. Isso fez com que muitos pensassem que Marcel estava atendendo pessoas com a Covid-19 em hospitais da região onde vive.
"Não. Eu tenho 63 anos. Sou grupo de risco. Não teria como fazer isso. Eu nem tenho o conhecimento necessário para atender pacientes com coronavírus. Atendo apenas nas clínicas de ultrassom. Tento ajudar respondendo às dúvidas de quem me pergunta", esclareceu o ex-jogador.
Para quem foi atleta de alto nível, técnico e também é médico especializado em radiologia, medicina da família e da comunidade, há uma pergunta inevitável: o que ele pensa sobre o movimento no Brasil para que os esportes voltem, especialmente o futebol, com portões fechados.
"É uma escolha simples: viver ou morrer. Quer fazer o quê? Voltar a jogar? É essa a escolha? Até parece que no jogo não tem contato físico. Vai manter um jogador distante um metro e meio do outro na hora da partida? Se for assim eu posso voltar a jogar basquete também", disse.
Ele considera que nem mesmo voltar a treinar é possível por enquanto. "Vai treinar para quê? Fica em casa! Vai jogar neste ano? Acha que vai ter final da NBA? Para com isso. É muito engraçado, porque acham que só acontece com os outros, mas pode acontecer com todos. Vamos ter de fazer uma reengenharia de tudo enquanto não se descobre uma vacina", conclui.