09 de julho de 2026
Política

Bolsonaro antecipa mudanças e infla a presença militar em postos-chave

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro irá aumentar a participação de militares em postos-chave no segundo e terceiro escalões para atenuar a entrada de indicados políticos do chamado centrão. O núcleo duro do Palácio do Planalto - formado pela ala militar e pelos filhos do presidente - desenha um governo ancorado nas Forças Armadas.

Desde os primeiros atritos com o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), Bolsonaro tem deixado clara sua insatisfação com os chamados por ele de estrelas. A saída precoce de Sergio Moro da Justiça acelerou o plano de reformulação.

Hoje, os fardados controlam 8 dos 22 ministérios e estão em 1.349 cargos do Executivo. Isso não leva em conta outros 881 postos ocupados por membros das três forças no Ministério da Defesa. Além de manter o Planalto com generais em três das quatro pastas do prédio, novos oficiais serão colocados em posições estratégicas.

O Ministério da Infraestrutura, na mira do centrão, deverá receber novos militares para postos-chave. A avaliação é que algumas companhias no Nordeste deverão ser cedidas aos novos aliados do governo. Porém, esses cargos serão reforçados com militares. Bolsonaro também sinalizou que quer mais nomes das Forças Armadas no Ministério da Justiça. O presidente ainda analisa se vai desmembrar a Segurança Pública da pasta.

A transição entre Mandetta e Nelson Teich já havia sido conduzida por militar, o contra-almirante Flávio Rocha. Ele é chefe da Secretaria de Assuntos Especiais, ligada diretamente à Presidência.

Na visão do presidente, a presença dos fardados evita o que mais o incomoda: insubordinação e protagonismo. Auxiliares de Bolsonaro defendem gradualmente outra mudança na equipe, tirando força dos chamados "políticos clássicos" e, até, de algumas das estrelas como o ministro Paulo Guedes (Economia). Mas o presidente, por ora, avaliou que era arriscado perder dois dos principais pilares ao mesmo tempo.

As mudanças deverão atingir um dos poucos aliados políticos que integravam o núcleo-duro durante a campanha, Onyx Lorenzoni (Cidadania). Onyx caiu em desgraça com o presidente.

Sem conseguir ser o articulador político que Bolsonaro queria, o ministro trouxe novo desgaste desnecessário ao governo ao anunciar que iria pagar duas parcelas do benefício às vítimas de Covid-19, sem ter dinheiro em caixa. A gestão dele na crise tem sido criticada por militares e, até, pelos filhos do presidente.