11 de julho de 2026
Política

Bolsonaro acusa Sérgio Moro de vazar relatórios e fala em crime

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro acusou nesta terça-feira (5) o ex-ministro da Justiça Sergio Moro de vazar relatórios sigilosos a veículos de imprensa e ressaltou que a iniciativa pode se enquadrar na Lei de Segurança Nacional. "Ele [Moro] tinha peças de relatórios parciais de coisas que eu passava para ele", disse. "E entregava para a Globo. Isso é crime federal, talvez incurso na lei de Segurança Nacional", acrescentou o presidente.

Na entrada do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse ainda que não tentou interferir na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro e que em nenhum momento pediu acesso a relatório sigilosos. "Não houve crime", disse. "É mentira atrás de mentira." O presidente afirmou que leria ainda nesta terça-feira o depoimento concedido por Moro à Polícia Federal e que se reuniria com seu advogado para tomar providências.

Segundo interlocutores, Bolsonaro considera divulgar o conteúdo de mensagens e áudios trocados com  Moro em uma tentativa de contra-ataque às acusações feitas pelo ex-juiz da Lava Jato. Nos últimos dias, o presidente disse a amigos e aliados, segundo relatos feitos à reportagem, que se sentia aliviado por não ter apagado as mensagens trocadas com o então ministro ao longo do governo.

Para resguardar o sigilo das conversas, Bolsonaro tem como hábito apagar de seu celular muitos de seus diálogos com ministros e deputados.

DEPOIMENTO

Em depoimento à Polícia Federal no último sábado (2), o ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou que o presidente Jair Bolsonaro pediu a ele no começo de março deste ano a troca do chefe da Polícia Federal no Rio de Janeiro. "Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro", disse Bolsonaro a Moro, por mensagem de WhatsApp, segundo transcrição do depoimento do ex-ministro à Polícia Federal

Os investigadores perguntaram a Moro se ele identificava nos fatos apresentados em seu pronunciamento de saída do governo alguma prática de crime por parte de Bolsonaro. O ex-ministro disse que os fatos narrados por ele são verdadeiros, mas não afirmou se o presidente teria cometido algum crime.

"Quem falou em crime foi a Procuradoria-Geral da República na requisição de abertura de inquérito e agora entende que essa avaliação, quanto à prática de crime, cabe às instituições competentes", disse Moro.

Segundo Moro disse em depoimento, o então diretor da PF, Maurício Valeixo, "declarou que estava cansado da pressão para a sua substituição e para a troca do SR/RJ". "Que por esse motivo e também para evitar conflito entre o presidente e o ministro o diretor Valeixo disse que concordaria em sair", afirmou o ex-ministro.

De acordo com Sergio Moro, em seguida o presidente Bolsonaro "passou a reclamar da indicação da Superintendente de Pernambuco". Segundo ele, "os motivos da reclamação devem ser indagados ao Presidente da República".

Segundo o ex-ministro, "o presidente lhe relatou verbalmente no Palácio do Planalto que precisava de pessoas de sua confiança, para que pudesse interagir, telefonar e obter relatórios de inteligência".