10 de julho de 2026
Geral

Bimestre tem o menor volume de chuvas no município em 20 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Março e abril registraram o menor volume de chuvas em 20 anos para este período, de acordo com a série histórica divulgada pelo Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) em seu portal. Nos dois meses somados, foram apenas 38,1 milímetros de precipitação na cidade, sendo 14,7 milímetros em março e 23,4 em abril.

Para se ter ideia, em 2019, o volume havia sido quase dez vezes maior: 355,9 milímetros. Em março e abril de 2018, o acumulado foi de 273,1 milímetros e, no mesmo período de 2017, 255 milímetros.

Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTec/Inpe), diversos fatores contribuíram para a queda brusca da quantidade de chuvas neste bimestre, na região de Bauru. "As principais causas foram as altas temperaturas, a falta de fluxo de umidade vindo para a região e as frentes frias que estão sendo bloqueadas, passando mais pelo litoral brasileiro, sem atingir o continente", detalha a climatologista Juliana Anochi.

Além desta conjunção, ela destaca o fato de as Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), quando ocorreram, terem ficado localizadas mais sobre o Estado de Minas Gerais. Faixa extensa de nebulosidade, a ZCAS é o principal sistema meteorológico do verão no Brasil, responsável por um período prolongado de chuva sobre parte das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do País.

Além de março e abril, este início de maio também segue seco em Bauru, o que levou ao rebaixamento do nível da Lagoa do Rio Batalha antes mesmo da chegada do inverno. Na última segunda-feira (4), a altura era de 3,11 metros, pouco abaixo do nível máximo, que é de 3,20 metros. Para esta semana de maio, o IPMet prevê pancadas isoladas de chuva apenas para esta quarta-feira (6).

AGRAVAMENTO

Segundo o DAE, este patamar ainda é considerado seguro e não demanda redução da produção na Estação de Tratamento de Água (ETA). Porém, com a aproximação do inverno - estação caracterizada por longos períodos de estiagem -, o cenário pode mudar.

Presidente do DAE, Eliseu Areco Neto ainda não considera a possibilidade de desabastecimento ou racionamento de água em Bauru. Contudo, pede para que a população se conscientize no sentido de evitar o desperdício. Além da escassez de chuva, o que torna a situação ainda mais sensível é o grande número de pessoas permanecendo dentro de suas casas por longos períodos em razão da pandemia.

E vale destacar que o Batalha abastece regiões populosas, como é o caso do Jardim Bela Vista e Vila Falcão. "Agora, estes moradores tomam mais banho, lavam mais louça, a varanda, a calçada, o carro. O uso indiscriminado de água é nossa grande preocupação, porque ele impacta não somente na capacidade de abastecimento da ETA, mas também na da água vinda dos poços, que é limitada a um padrão de consumo da cidade", detalha.

Eliseu Areco Neto acrescenta que a perfuração de poços ao longo dos anos tem contribuído para retirar a sobrecarga no Rio Batalha. Neste ano, por exemplo, o DAE está perfurando um poço profundo na região do Parque Santa Cândida, que abrange também bairros como a Vila Dutra, Parque Val de Palmas e Leão 13, hoje atendidos pelo sistema ETA/Batalha.