09 de julho de 2026
Geral

Com quarentena estendida, Gazzetta apresentará proposta ao governador

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Após anúncio de prorrogação da quarentena no Estado até 31 de maio, Clodoaldo Gazzetta informou que levará ao governo do Estado um modelo próprio para a cidade que transforma indicadores da ciência e da saúde em fórmulas matemáticas. Chamada de "Pacto por Bauru", a proposta deve ser apresentada, nesta segunda-feira (11), às 16h, na 1.ª reunião do Conselho Municipalista, criado pelo governo para alinhar ações de combate à Covid-19 no Interior. Gazzetta - que faz parte deste conselho com mais 15 prefeitos - diz que enviará relatório ao governador com o detalhamento do estudo, apontando, por meio de parâmetros científicos e numéricos, que Bauru já poderia iniciar sua flexibilização comercial.

A medida precisa ser validada por pesquisadores e pelo governador para ser implementada. Até que a resposta saia, a quarentena continua sem alterações.

Antes de ir para Capital, Gazzetta deve apresentar a ideia em coletiva de imprensa, por videoconferência, nesta segunda (11), às 10h.

Ao JC, ele adiantou que a proposta utiliza quatro indicadores centrais como avaliação da epidemia na cidade: curva epidemiológica; números de óbitos, contaminados e testagem; leitos e taxa de ocupação; e índice de isolamento social.

E, conforme o resultado desses indicadores, considera cinco cenários possíveis, sendo o primeiro o lockdown e o último a normalidade, com abertura total (confira no quadro).

"Cada um dos indicadores tem peso de 0,25 dentro de um contexto, em uma escala que vai de 0 a 1. Quando o total do isolamento for baixo, ou o número de mortes for alto demais, ou a taxa de ocupação for ruim, a pontuação diminui. E, assim, há resposta da cidade com relação à flexibilização. São itens que precisam ser monitorados diariamente. Por isso, é um pacto, dependemos da população", explica o prefeito. "Se a pontuação dessa conta diária for boa, abriremos um pouquinho mais. Se for ruim, fechamos. É uma fórmula matemática", completa o prefeito, defendendo a medida como mais transparente para a tomada de decisões.

'HÁ CONDIÇÃO'

Os indicadores ou parâmetros são pontuados de acordo com critérios estabelecidos por normas da Organização Mundial de Saúde (OMS). "Há recomendação de, no mínimo, 20 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes. Estamos quase lá. Temos 59 UTIs, contando com as pactuadas na rede privada. A OMS também aponta o índice de letalidade da Covid-19 abaixo de 5%. A nossa está em 5,6%", acrescenta Gazzetta, afirmando que, com esses números atuais, a cidade tem condições de avançar um cenário e iniciar o nível 3, com abertura comercial gradual.

"Em uma escala de tempo, com início dessa abertura em 15 dias após o aval do Estado, há condição de permitir a entrada de clientes nos estabelecimentos com critérios mais rígidos para isso, como poucas pessoas em um ambiente controlado. Daria ainda para começar o processo de abertura de cabeleireiros, barbeiros e manicures", exemplifica Gazzetta, dizendo que pedirá sensibilidade ao governador para que dê o aval a Bauru para testar o modelo.

O prefeito, que é biólogo, conta ter elaborado a proposta, há quatro dias, sozinho durante a madrugada. "Eu peguei a caneta, um papel e comecei a desenhar", cita o chefe do Executivo, complementando que imaginava um anúncio de flexibilização na coletiva do governador ontem.

"Estamos levando uma fórmula científica. Não estamos tomando decisão política ou populista. Espero que dê certo", finaliza.