08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

À minha querida mãe, cuja saudade poreja...

Reinaldo Antônio Aleixo - Procurador Jurídico e professor na ITE
| Tempo de leitura: 2 min

O jornalista e poeta brasileiro Giuseppe Ghiaroni, em trecho de seu poema "Dia das Mães", ao homenageá-las, lapidou:

Dia das Mães! É o dia da bondade

maior que todo o mal da humanidade

purificada num amor fecundo.

Por mais que o homem seja um ser mesquinho,

enquanto a Mãe cantar junto a um bercinho

cantará a esperança para o mundo!

Mãe, palavra sagrada, cujos contornos dessas três letrinhas são incapazes de moldurar a grandeza de seu significado! Felizes os que ainda a têm por perto. Por ironia do destino, neste momento, os abraços apertados e os beijos carinhosos que deveríamos entregar às mães nos foram furtados por essa doença que tanto maltrata a humanidade e, ao menos temporariamente, nos afastam delas.

Mas, de qualquer forma, manifestem a ela, com seu sorriso mais puro, todo seu amor, o seu agradecimento, ao mesmo tempo em que não se esqueça de pedir-lhe perdão pelas aflições que certamente as fez passar. Porque a vida passa e estala num segundo... Eis o que somos!

Minha querida mãe, que os dias transformam distante, deixou-me a doce lembrança do seu amor e do seu carinho e as lições de vida que busco seguir... E, somente depois da despedida deste mundo, é que sentimos o frio da noite, a neblina sombria, o medo, a solidão da madrugada, pela falta do abraço acolhedor, do aconchego de mãe e do carinho sempre pronto a nos afagar... É...

"Foi ontem que à Ave-Maria

O sino da freguesia

Me fez tanto soluçar.

Foi ontem que te calaste...

Dormiste... os olhos fechaste...

Nem me fizeste rezar..."

Sim, minha mãe, ao partir sem me avisar, deixou a chaga invisível, um espaço vazio...

Mãe, neste dia consagrado a todas as mães, "o dia da bondade maior que todo o mal da humanidade", relembro das poesias que a mim, em tenra idade, declamava com tanto fervor. E foi por isso que trago o príncipe dos poetas, Castro Alves, ao eternizar, no poema "A órfã na sepultura":

"E agora, ó Deus!... se te chamo

Não me respondes! ... se clamo,

Respondem-me os ventos suis...

No leito onde a rosa medra

Tu tens por lençol a pedra

Por travesseiro uma cruz."

Sua bênção, minha querida mãe, e que Deus, misericordioso, onipotente e glorioso, que a concebeu como minha santa mãezinha, tende piedade de nós, simples mortais, nesta passagem terrena!