O jornalista e poeta brasileiro Giuseppe Ghiaroni, em trecho de seu poema "Dia das Mães", ao homenageá-las, lapidou:
Dia das Mães! É o dia da bondade
maior que todo o mal da humanidade
purificada num amor fecundo.
Por mais que o homem seja um ser mesquinho,
enquanto a Mãe cantar junto a um bercinho
cantará a esperança para o mundo!
Mãe, palavra sagrada, cujos contornos dessas três letrinhas são incapazes de moldurar a grandeza de seu significado! Felizes os que ainda a têm por perto. Por ironia do destino, neste momento, os abraços apertados e os beijos carinhosos que deveríamos entregar às mães nos foram furtados por essa doença que tanto maltrata a humanidade e, ao menos temporariamente, nos afastam delas.
Mas, de qualquer forma, manifestem a ela, com seu sorriso mais puro, todo seu amor, o seu agradecimento, ao mesmo tempo em que não se esqueça de pedir-lhe perdão pelas aflições que certamente as fez passar. Porque a vida passa e estala num segundo... Eis o que somos!
Minha querida mãe, que os dias transformam distante, deixou-me a doce lembrança do seu amor e do seu carinho e as lições de vida que busco seguir... E, somente depois da despedida deste mundo, é que sentimos o frio da noite, a neblina sombria, o medo, a solidão da madrugada, pela falta do abraço acolhedor, do aconchego de mãe e do carinho sempre pronto a nos afagar... É...
"Foi ontem que à Ave-Maria
O sino da freguesia
Me fez tanto soluçar.
Foi ontem que te calaste...
Dormiste... os olhos fechaste...
Nem me fizeste rezar..."
Sim, minha mãe, ao partir sem me avisar, deixou a chaga invisível, um espaço vazio...
Mãe, neste dia consagrado a todas as mães, "o dia da bondade maior que todo o mal da humanidade", relembro das poesias que a mim, em tenra idade, declamava com tanto fervor. E foi por isso que trago o príncipe dos poetas, Castro Alves, ao eternizar, no poema "A órfã na sepultura":
"E agora, ó Deus!... se te chamo
Não me respondes! ... se clamo,
Respondem-me os ventos suis...
No leito onde a rosa medra
Tu tens por lençol a pedra
Por travesseiro uma cruz."
Sua bênção, minha querida mãe, e que Deus, misericordioso, onipotente e glorioso, que a concebeu como minha santa mãezinha, tende piedade de nós, simples mortais, nesta passagem terrena!