09 de julho de 2026
Internacional

Alemães saem de casa com cautela e se adaptam a um 'novo normal'

Estadão Conteúdo - Site
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Berlim - Menos afetada pela pandemia que seus vizinhos europeus, a Alemanha tornou-se um dos primeiros países a relaxar as medidas de confinamento. Na última semana, escolas, bibliotecas, salões de beleza e outros pequenos estabelecimentos comerciais voltaram a funcionar, mas com novas regras, como o uso obrigatório de máscaras. Os alemães, no entanto, estão retornando com cautela ao que consideram um "novo normal".

"A primeira fase da pandemia terminou, mas estamos no início e temos uma longa luta contra o vírus pela frente", alertou a chanceler Angela Merkel, após afirmar que o relaxamento das restrições só foi possível graças à estabilização da taxa de contágio e à baixa ocupação de leitos de hospitais.

"Em Berlim, as pessoas estão inseguras, mas calmas", conta o médico Andreas Kähne. "Meus pacientes estão preocupados por causa do vírus, mas seguem as instruções de segurança." As novas medidas encerraram um enclausuramento de cinco semanas na cidade.

Morador de Berlim, o cabeleireiro brasileiro Henrique Rocha relatou clima de tranquilidade. Em um primeiro momento, ele disse que houve "medo até exagerado" da população. "Era tudo novo, mas os frequentes pronunciamentos das autoridades amenizaram isso. E as pessoas perceberam que o isolamento estava funcionando e ficaram mais calmas."

A Alemanha é o sexto país do mundo com mais casos de coronavírus - 168 mil, segundo a Universidade Johns Hopkins, dos EUA. As mortes somam 7,2 mil e as pessoas recuperadas, 137 mil. Martin Ritt, morador de Bielefeld, teme que haja uma segunda onda de contágios se a abertura não for lenta e gradual. "Ainda não é o caso de ter grandes eventos. Shows e festivais, como a Oktoberfest, já foram cancelados e o carnaval do ano que vem é questionável", disse.

O Campeonato Alemão volta na semana que vem, mas sem torcida. A reabertura de cinemas, teatros e restaurantes ainda é incerta. Merkel afirmou que cada Estado deve rever as regras para retomar esses setores da economia. A maior parte da responsabilidade em levantar as restrições será dos governos locais.