09 de julho de 2026
Geral

Enfermeira tem primeiro Dia das Mães à distância

Vinicius Bomfim
| Tempo de leitura: 3 min

Um dia sem encontros, sem abraços, sem beijos e uma imensidão de proteção. É desta forma que a enfermeira Claudia Regina Francisco Florentino, de 41 anos, que está na linha de frente do combate à Covid-19 em Bauru, comemora o Dia das Mães com a sua mãe, Ivone Bertoloni, de 61 anos, que se recupera de um câncer e se enquadra nos grupos de risco. Enquanto a saudade aumenta, o maior desejo da mãe e da filha, neste momento, é a proteção. 

"Já são dois meses que nós não nos encontramos [...] É a primeira vez que passamos esse dia longe uma da outra", conta Claudia Regina, que é enfermeira nos hospitais São Francisco e Unimed, e atende os pacientes vítimas da Covid-19.

Somando os dois turnos, a enfermeira trabalha durante 16 horas dentro dos hospitais. São locais onde há maior concentração do vírus. "Desde que a pandemia começou, optei por não encontrar mais com ela [mãe], já que faz parte do grupo de risco", explica. Claudia também é mãe de três filhos. 

Do outro lado, Ivone Bertoloni, mãe da enfermeira, foi vítima de um linfoma há dois anos e, desde então, realiza o tratamento do câncer.

"Durante o processo e nas quimioterapias, a minha resistência abaixou muito. Eu já sentia a sensação do que é estar em isolamento", conta Ivone.

Ela diz que o que mais sente falta é de reunir a família, como faziam nos outros anos ao longo da vida, mas, para Ivone, a preocupação não é com o andamento da sua doença, mas sim, com a proteção de sua filha. "Se o câncer tiver que voltar, ele vai voltar. Então prefiro a proteção da minha filha. Não só dela, mas de toda a equipe dela. Eu tenho fé que não vai acontecer", pontua.

Os "encontros"

Nos últimos tempos, os encontros entre a mãe e a filha tem sido por chamada de vídeo. "Conseguir falar com ela desse jeito, é uma forma de saber como ela está, se precisa de algo. Da minha família, eu sou a única pessoa que menos encontra ela, por causa do meu trabalho", afirma Cláudia.

A enfermeira conta ainda que a sua mãe está completamente sozinha na casa. "A cuidadora dela ficou doente, então, deixamos ela sozinha. Alguém da nossa família deixa comida ou as coisas que ela precisa, no portão da casa, pra evitar o máximo de contato". 

Durante os turnos de trabalho, sendo todos os dias, Claudia procura dar uma pausa e ligar para a sua mãe. Muitas das vezes, as colegas da enfermaria também dividem esse momento, como foi o caso da mensagem especial neste Dia das Mães (assista o vídeo no final da matéria).

A saudade...

A saudade e orgulho são dois sentimentos presentes na vida das duas. Ivone não deixa de dizer que a sua filha é guerreira, e que está no hospital para salvar vidas de outras pessoas. Já Claudia, exalta a saudade de sua mãe. "É a vez que eu queria mais estar perto dela, justamente porque ela venceu a pior fase do câncer [...] Queria comemorar junto", define.

Questionadas se elas queriam dar uma mensagem especial uma à outra, a filha conta que "queria dizer que minha mãe é uma vencedora. Ela é muito especial, é a pessoa mais importante da minha vida. Esse gesto de ficar longe, é um gesto de amor por ela". Para a Ivone, mãe da enfermeira, conta que queria dizer que ama imensamente a sua filha e, por fim, diz que "essa fase vai passar". 

Vídeo e emoção

Confira abaixo momento no qual Claudia Regina fala com a mãe, Ivone, direto do hospital São Francisco, na manhã deste domingo.