11 de julho de 2026
Geral

Em meio à pandemia do coronavírus, a FOB-USP completa 58 anos hoje


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Hoje, dia 17 de maio, a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP) celebra 58 anos de fundação. Em meio à pandemia do coronavírus, a tradicional comemoração de aniversário não será realizada neste ano. Em contrapartida, a instituição caminha ao lado da comunidade no combate à Covid-19. Após um mês de trabalho, completado em 15 de maio, foram feitas perto de 800 análises no Laboratório de Farmacologia da FOB com a realização dos testes moleculares para o diagnóstico da doença.

Carlos Ferreira dos Santos, diretor da FOB e superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da USP analisa a importância das atividades da Faculdade no auxílio ao combate do coronavírus. Desde o início da pandemia, a FOB tem respeitado as medidas de restrição de acesso no âmbito das universidades públicas, seguindo a orientação do governo do Estado de São Paulo e da Reitoria da USP. Com isso, foram suspensas as atividades presenciais da graduação e pós-graduação, como aulas, defesas de mestrado e doutorado, que agora ocorrem online a distância.

Os servidores técnico-administrativos estão realizando o seu trabalho em domicílio e vindo à FOB em sistema de rodízio para minimizar a circulação de pessoas no câmpus. O Serviço de Urgência Odontológica, considerado essencial, foi mantido e de maneira mais restrita está atendendo pacientes com dor de dente. "Outra medida importante foi realizar a capacitação de 200 médicos e enfermeiros, da rede pública de saúde de Bauru, para a padronização de técnicas relacionadas à biossegurança, intubação orotraqueal e proteção ventilatória, no Centro de Educação e Capacitação em Saúde (CECS), que é um centro de simulação da FOB", avalia.

Em 14 de maio a FOB doou produtos de higiene pessoal para a Campanha CoronaVIDA, do Ministério Público e da Prefeitura de Bauru, que foram coletados durante a Semana de Recepção aos Calouros 2020.

Segundo Carlos Ferreira dos Santos, foi motivo de orgulho para a Faculdade o credenciamento do Laboratório de Farmacologia da FOB para a realização dos testes moleculares para o diagnóstico da Covid-19.

O diretor informa que, após um mês de trabalho, completado em 15 de maio, foram feitas perto de 800 análises no Laboratório de Farmacologia da FOB com a realização dos testes moleculares para o diagnóstico da Covid-19.

"É motivo de orgulho para a FOB colocar a estrutura de pesquisa da USP a serviço da população, colaborar com as prefeituras municipais e serviços públicos de Bauru e região e auxiliar as equipes médicas na melhor conduta para o tratamento desses pacientes", considera Santos. O diretor acrescenta que este trabalho só foi possível com recursos da FOB e doações via fundação de apoio da FOB, a Fundação Bauruense de Estudos Odontológicos (Funbeo), recebidas de pessoas físicas e jurídicas para a aquisição de insumos necessários na realização desses testes moleculares. Essa quantidade expressiva de análises realizadas também é resultado da parceria com o Instituto Adolfo Lutz (IAL) de Bauru, que contou com o empenho da diretora, Virgínia Pereira.

COMO É O TESTE DE COVID

O diretor da FOB esclarece a sistemática de trabalho para a realização dos testes moleculares no Laboratório da Faculdade. Todos os dias, no final da tarde são recolhidas amostras recebidas pelo IAL de Bauru, procedentes de Bauru e outros municípios da região. O IAL faz essa distribuição para a FOB e para o Instituto Lauro de Souza Lima, que são as instituições habilitadas na cidade para fazer este teste. "Eu acordo às 5 da manhã para estar no laboratório às 6 da manhã, e iniciar uma etapa chamada de extração do RNA do vírus", acrescenta Santos.

Essas amostras estão em tubos que têm os swabs, que foram coletados pela equipe médica e de enfermagem nos hospitais de Bauru e região. Os swabs são como cotonetes longos, que foram introduzidos nas narinas direita e esquerda do paciente, chegando na região da nasofaringe, para que sejam recolhidas células, e também na região da orofaringe (garganta).

Dentro de um laboratório em condições especiais - como uma cabine de segurança biológica e com a utilização de equipamentos de proteção individual - esses tubos são abertos e recolhe-se um pouco do líquido em solução de soro fisiológico dessa amostra e, na sequência, se faz a reação em duas etapas.

Santos explica: "A primeira etapa é a que começa às 6h e vai até por volta das 11h30 da manhã, que é a extração do RNA do vírus. Uma vez extraído o RNA do vírus, temos que fazer uma reação chamada RT-PCR em tempo real, uma reação que mostrará se naquele líquido que recebemos daquelas amostras dos pacientes existe o material genético específico do novo coronavírus". Nessa fase de extração do RNA do vírus, a intenção é estourar a célula para que o material genético do vírus fique no líquido. E depois, na segunda fase de RT-PCR, amplificar esse material genético e revelar se ele está presente ou ausente naquela amostra. Ao final da segunda etapa, por volta das 16h, é possível saber se foi detectado o material genético do vírus naquela amostra do paciente. Depois disso, os resultados positivos ou negativos das amostras são inseridos no sistema GAL, que é o Gerenciador de Ambiente Laboratorial da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Com o resultado inserido nesse sistema GAL, o médico ou o serviço médico que solicitou (município) tem acesso ao resultado imediatamente, assim como as vigilâncias epidemiológicas de Bauru e dos municípios da região que enviaram amostras ao IAL de Bauru.