09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O homem que calculava (mal)

Benedito J. Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 2 min

No dia 15/05 p.p., em coletiva de imprensa, o ministro chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, apresentou, em seu balanço dos 500 dias de governo, dados e cálculos sobre a pandemia da Covid-19. Porém, tanto os dados quanto os cálculos estão totalmente equivocados e distorcem a realidade. Vejamos: o primeiro err, é que compara dois meses no Brasil com os dados de países que já atravessaram seu pico máximo. Se o cálculo fosse feito dessa forma, bastaria pegarmos dados de Wuhan no período anterior a outubro/2019 (quando ainda não havia a pandemia) e chegaríamos à enganosa conclusão que na China não ocorreu nenhuma morte.

O ministro disse ainda que câncer, infarto, pneumonia e até a prática de esportes matam mais pessoas que a Covid-19. Esquece de dizer que os números dessas mortes correspondem ao período de um ano, enquanto o período computado da Covid-19 é de apenas 2 meses, já que a primeira morte confirmada se deu em 16 de março. Esquece ainda que os números dessas outras "causa mortis" são praticamente lineares, ao passo que os números da Covid-19 estão em desenfreada crescente, em progressão geométrica.

Esses "equívocos" se dão pelo fato de que o ministro não sabe do que está falando, porque não é médico, cientista ou epidemiologista, nem ministro da Saúde... Ele é mais um desse governo que vê a ciência como inimiga e pandemia como questão ideológica. Por fim, ele afirma que a imprensa é responsável por disseminar o terror... Não, sr. ministro. Responsável por disseminar o terror são aqueles que negam os fatos, que ignoram a ciência, distorcem números e usam redes sociais para semear mentira enquanto o povo padece.

Como mostra Malba Tahan, no livro "O Homem que Calculava", há diversas formas de se fazer a mesma conta, chegando-se a resultados diversos... porém, a verdade é uma só - e hoje, ela não tem voz nesse (des)governo.