11 de julho de 2026
Geral

'Pandemia difunde Ensino Remoto Emergencial pelas escolas do Brasil'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Bastante difundido em países que abrigam catástrofes naturais, o Ensino Remoto Emergencial (ERE) começou a ganhar espaço no Brasil após a chegada do novo coronavírus, que obrigou todas as escolas a fecharem as suas portas. Em Bauru, o Anglo passou a adotar a modalidade, que muito diverge do Ensino a Distância (EaD), conforme define o diretor-geral do colégio, André Cola.

De acordo com ele, o Ensino Remoto era pouco difundido no Brasil, que não registra desastres naturais de grandes proporções, como furacões, ciclones ou tufões. "Os eventos deste tipo forçaram várias nações a pensar em uma maneira de os alunos continuarem com as aulas mesmo quando estiverem sob os seus efeitos", revela.

Ainda segundo André, o ERE, como a própria nomenclatura sugere, é provisório e, dificilmente, alguém consegue se programar para aplicá-lo. "Tivemos de nos reorganizar para promover algo remoto, mas o mais parecido possível com o presencial", acrescenta.

Assessor pedagógico do Anglo Bauru e doutor em Educação, Paulo Tomazinho informa que, em um primeiro momento, as instituições de ensino não tiveram tempo para elaborar um planejamento. "O projeto pedagógico de 2020 acabou, literalmente, engavetado. Por conta disso, os professores começaram a entregar os conteúdos conforme a sua possibilidade, muitas vezes, com videoaulas ao vivo", observa.

Paulo destaca, agora, a necessidade de organização, como o Anglo faz. "A ideia é trabalhar bastante com atividades que não aconteçam ao mesmo tempo, permitindo que os alunos escolham o melhor momento para estudar", pontua.

ERE x EaD

O Ensino Remoto Emergencial (ERE) diverge do EaD. "Tal método (EaD) prevê grande escala. Algumas universidades, inclusive, possuem conteúdos gravados em estúdios planejados para este formato e os distribuem para milhares de estudantes", explica André Cola.

Conforme o diretor-geral do colégio define, o ERE não apresenta esta característica. "Uma sala do 7.º ano do Fundamental possuía, presencialmente, 13 professores. Com a implantação do Ensino Remoto, os mesmos docentes planejam e corrigem as atividades para aquela turma, além de interagirem com ela. Geralmente, no EaD, tal comunicação não se dá com os professores, mas com os tutores", exemplifica.

Questionado sobre o tempo online destinado aos estudos, André diz que depende da faixa etária. "Vários especialistas não recomendam você colocar as crianças em frente às telas por quatro ou cinco horas diárias. Neste caso, eles aconselham aos professores não ensinarem a música inteira, mas apenas o refrão", completa.

Ele sugere, ainda, que os pequenos trabalhem durante a mesma quantidade de horas que ficavam na escola. "Isso não significa que precisam olhar para as telas no decorrer de todo este período", frisa.

Portanto, o tempo online para o Ensino Infantil não pode passar de 40 minutos. "No Fundamental, aumenta um pouco e, no Médio, dá para fazer uma aula ao vivo de 1h40", narra.

Antes de mais nada, o Anglo elabora um planejamento semanal, que é enviado aos pais ou responsáveis com certa antecedência.