Washington - Depois de semanas de acusações feitas principalmente pelos EUA sobre a resposta da China à pandemia do novo coronavírus, o dirigente chinês, Xi Jinping, defendeu, nesta segunda (18), investigação liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a respeito das origens do vírus. O presidente Donald Trump, membros do alto escalão de seu governo e aliados dos EUA acusam a China, onde os primeiros casos da Covid-19 foram detectados, de omitir informações e ter perdido o controle sobre o avanço da doença.
Em discurso transmitido por vídeo durante a assembleia anual da OMS em Genebra, na Suíça, Xi apoiou uma resolução enviada pela União Europeia que propõe uma avaliação da organização e de seu diretor geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
O líder chinês disse que a pandemia de Covid-19 é "a mais grave emergência mundial em saúde pública desde o final da Segunda Guerra Mundial" e que, "o tempo todo", a China agiu com "abertura, transparência e responsabilidade".
Xi também usou sua fala na assembleia para defender a resposta de Pequim à pandemia. Ele anunciou uma doação de US$ 2 bilhões (R$ 11,6 bilhões) à Organização das Nações Unidas (ONU) e se ofereceu para ajudar a melhorar a infraestrutura de saúde em países da África.
Além disso, o dirigente chinês disse que quaisquer vacinas contra a Covid-19 produzidas em seu país serão consideradas um "bem público mundial e compartilhado".
No discurso de abertura, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, criticou os países que "ignoraram as recomendações" da OMS na resposta à pandemia e estimou que o mundo paga "preço alto" por estratégias divergentes. Sem mencionar Wuhan ou China, ele pediu à OMS que trabalhe com outras agências da ONU para "identificar a fonte zoonótica do vírus e a via de introdução à população humana".
A tensão entre EUA e China continua sendo o tema que deve pautar, ainda que indiretamente, as próximas decisões da comunidade internacional na construção de uma resposta coordenada à pandemia. Entre conservadores norte-americanos, a teoria prevalente é que o novo coronavírus poderia ser uma arma biológica em estudo que escapou de forma proposital ou não de um laboratório em Wuhan. A afirmação foi desmentida por um estudo científico internacional.